20 de novembro de 2018, 08h54

Racismo exclui negros do mercado: “Tem-se a percepção de que as coisas vão bem, mas os dados dizem outra coisa”

Diretora do Instituto Ethos acredita que pode existir regressão em políticas públicas durante o governo Jair Bolsonaro, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

Reportagem de Flavia Lima, na edição desta terça-feira (20) da Folha de S.Paulo, afirma que o racismo limita a contratação de negros. Segundo a a diretora-adjunta do Instituto Ethos, Ana Lúcia de Melo Custódio, ouvida pela reportagem, o problema passa por aquilo que o recrutador pensa ser o candidato ideal para a vaga em determinada empresa —e, de acordo com esse imaginário, esse futuro funcionário não é negro.

No último levantamento do Ethos, em 2016, quando questionados se a participação dos negros nos diferentes níveis da empresa era adequada, os gestores respondiam que sim. “Tem-se a percepção de que as coisas vão bem, mas os dados dizem outra coisa”.

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Os negros são 64,2% dos desempregados no Brasil, embora representem 55,7% do total da população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A participação de pretos e pardos entre os desocupados cresce desde o início da série, iniciada em 2012.

A maior participação de negros no ensino superior, fenômeno decorrente das políticas de cotas, ainda não se reflete nas contratações.

Segundo pesquisa do próprio Ethos, os negros ocupavam 6,3% dos cargos de gerência, 4,9% dos cargos em conselhos de administração e apenas 4,7% do quadro executivo em 2016.

Questionada se vê riscos de retrocesso com o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL), que já se posicionou contras as cotas, Ana Lúcia diz que pode existir regressão em políticas públicas, mas acha menos provável que isso ocorra nas empresas.

Leia a reportagem na íntegra.

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