ASSISTA
10 de outubro de 2017, 17h42

Recebido com festa, deputado do PSDB vota pela improcedência da denúncia contra Temer

“O senhor vai dar um show”, disse um deputado governista ao relator Bonifácio Andrada (PSDB-MG) logo que ele chegou à Câmara. Andrada recomendou o arquivamento da segunda denúncia contra Temer e afirmou que o MP tenta “criminalizar a política” Por Redação A romaria de Temer em receber deputados no Palácio do Jaburu, fazer acordos e […]

“O senhor vai dar um show”, disse um deputado governista ao relator Bonifácio Andrada (PSDB-MG) logo que ele chegou à Câmara. Andrada recomendou o arquivamento da segunda denúncia contra Temer e afirmou que o MP tenta “criminalizar a política”

Por Redação

A romaria de Temer em receber deputados no Palácio do Jaburu, fazer acordos e liberar emendas parlamentares para se livrar da segunda denúncia a ser analisada na Câmara já começa a surtir efeito. Nesta terça-feira (10), dia em que a denúncia por organização criminosa e obstrução da Justiça está sendo analisada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, o relator do parecer sobre a denúncia, deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG), foi recebido com festa pela base governista.

“O senhor vai dar um show, vai honrar a política mineira”, disse Abi-Ackel a Andrada na entrada da Câmara.

Os governistas tinham certeza do que se concretizou há pouco. Andrada leu o seu relatório em que recomendou o arquivamento da denúncia contra Temer, atacando o Ministério Público, a Polícia Federal e alegando falta de provas.

Em seu relatório, Andrada mal cita a denúncia em si e se limita apenas a atacar o Ministério Público e a Polícia Federal, até mesmo por conta do “tratamento” que dão a Temer na denúncia.

“Basta verificar que nesses autos a Presidência da República não é tratada com a devida reverência”, disse o deputado, que acusou o Judiciário de querer “criminalizar” a política.

O parecer de Andrada inclui ainda as denúncias contra os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), acusados dos mesmos crimes de Temer. Ao recomendar o arquivamento da denúncia, o deputado entende que os ministros, assim como o presidente, também não cometeram crimes.

“Fixada a ausência de elementos contra o presidente nas acusações, as acusações contra os demais membros da organização criminosa perdem sentido e se desarticulam”, afirmou.

Após as considerações finais do relator, haverá tempos iguais para que a defesa dos acusados apresentem seus argumentos. Como é esperado um pedido de vista – com prazo de duas sessões do Plenário –, a votação da denúncia na CCJ só deve começar na próxima terça-feira (17).

Independentemente desse parecer analisado na CCJ, é o Plenário da Casa que decidirá se autoriza ou não a abertura de processo no STF contra Temer. Se condenado, Temer perde o cargo de presidente.

Em agosto, o Plenário da Câmara negou autorização ao STF para processar Temer por crime de corrupção passiva, objeto da primeira denúncia de Janot.