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22 de março de 2019, 12h04

Rejeitos contaminados pela Vale em Brumadinho atingem rio São Francisco e provocam morte de peixes

Estudo feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, entregue a deputados e ao Ministério Público, mostra que limpeza do velho Chico pode levar décadas

Cenário deixado pela Vale em Brumadinho (Foto: Alex Lanza/MPMG)
Os rejeitos da barragem do Córrego do Feijão, que rompeu no dia 25 de janeiro, já atingem a bacia do Rio São Francisco causando a morte de peixes e, em alguns pontos, deixando a água imprópria para consumo da população. Responsável pelo crime, a Vale cria obstáculos para cumprir acordo para pagamento de auxílio aos atingidos de Brumadinho, segundo o Ministério Público de Minas Gerais. As informações são do relatório O retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica, publicado nesta sexta-feira (22), pela Fundação SOS Mata Atlântica. A ONG recolheu amostras de água em 12 pontos do...

Os rejeitos da barragem do Córrego do Feijão, que rompeu no dia 25 de janeiro, já atingem a bacia do Rio São Francisco causando a morte de peixes e, em alguns pontos, deixando a água imprópria para consumo da população. Responsável pelo crime, a Vale cria obstáculos para cumprir acordo para pagamento de auxílio aos atingidos de Brumadinho, segundo o Ministério Público de Minas Gerais.

As informações são do relatório O retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica, publicado nesta sexta-feira (22), pela Fundação SOS Mata Atlântica.

A ONG recolheu amostras de água em 12 pontos do rio, entre os dias 8 e 14 de março, e constatou que nove deles estavam em condição “ruim” e três em situação “regular”.

No trecho a partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu, em Minas Gerais, até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, a turbidez (transparência da água) estava acima dos limites legais definidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para a qualidade da água doce superficial.

“Além disso, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos pela lei”, disse ao El País, Malu Ribeiro, assessora da S.O.S. Mata Atlântica, especialista em água.

A pesquisadora explica que há possibilidade de limpeza do São Francisco, mas que isso vai depender da capacidade dos reservatórios de Três Marias e Retiro Baixo, que devem funcionar como barreira para conter os rejeitos mais pesados, e de um plano das autoridades para recuperar as nascentes da região.

“É um processo que pode levar décadas”, afirma Ribeiro.

Ela e companheiros da ONG entregaram o relatório à Câmara dos Deputados e ao Ministério Público na quarta-feira e pretendem retomar a expedição para conversar com os ribeirinhos.

“Nosso objetivo é levar respostas e instrumentos para as comunidades que não estão sendo informadas dos riscos que correm”, diz a especialista.

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