Blog do Valdemar

política e teologia

12 de julho de 2012, 19h42

Religião civil tupiniquim

A assimilação da identidade religiosa norte-americana pelos evangélicos brasileiros seria o fator fundamental para entendermos o perfil conservador de significativa bancada no Congresso Nacional.

A assimilação da identidade religiosa norte-americana pelos evangélicos brasileiros seria o fator fundamental para entendermos o perfil conservador de significativa bancada no Congresso Nacional. Teríamos como insistir nessa hipótese? A religião civil norte-americana teria força para colonizar as denominações evangélicas brasileiras através da sua potente mídia, da literatura traduzida em profusão e de criativos arranjos institucionais que formariam redes amplas que geram ações sociais. Mas como demonstrar empiricamente essa transmissão de valores?

O conceito de religião civil aplica-se a diversas realidades. Trata-se do mecanismo de valorização do conceito via ampla evidência na realidade. Teríamos evidências no tabuleiro político brasileiro atual do jeito de fazer política da Nova Direita Americana? O discurso político na conformação da retórica bíblica. Representação política fortemente marcada pela identidade dos valores morais. Associativismo religioso com bandeiras políticas específicas com a capacidade de pressionar governos e definir pleitos eleitorais.

Embora haja simetrias entre identidade dos evangélicos brasileiros e a religião civil americana, as distâncias são tamanhas, de forma que acredito que as teorias conspiratórias são exageradas.

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Conforme os novos dados divulgados pelo Censo do IBGE, os evangélicos, em uma década, passaram de 15,4% para 22,2% na população brasileira. Os grupos evangélicos que mais crescem são exatamente aqueles que podem ser considerados “experiências brasileiras”. Outro modo de dizer, os grupos denominacionais que foram implantados no Brasil por missões americanas e europeias não obteve crescimento tão significativo. O crescimento dos evangélicos no Brasil é expressivamente o crescimento dos grupos pentecostais.

As concepções teóricas da religião civil americana são ilustrativas para pensar os atores políticos evangélicos na cena atual da política brasileira. Talvez tenhamos que começar a nos referir à religião civil brasileira na versão das igrejas evangélicas, já que a religião civil brasileira na versão da Igreja Católica nos soa mais familiar.

Assistiremos uma vez mais nas eleições municipais deste ano a força do argumento religioso para fins políticos. Candidatos a importantes prefeituras abraçados a líderes das paróquias católicas e evangélicas. Uma verdadeira romaria de candidatos a vereadores com roupa de missa nos domingos matinais. Outros marcarão presença através dos microfones das rádios comunitárias controladas por igrejas evangélicas. Juras de amor eterno ao eleitorado tendo a Bíblia como livro texto.

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A liturgia eleitoral não desanda nem desafina quando se expressa no espaço sagrado das igrejas evangélicas e católicas. Não ficarei surpreso em constatar no final deste ano que as bancadas religiosas continuam a crescer nas câmaras municipais. Desconfio que os ditos representantes das igrejas evangélicas e de segmentos católicos estarão confortáveis com suas liturgias religiosas, mesmo estando no espaço público.

Os templos da política serão profanados pelo sacerdócio incensados por milhares de votos?

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