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23 de março de 2019, 08h45

Rodrigo Maia volta a criticar Bolsonaro: “O governo é um deserto de ideias”

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, o presidente da Câmara foi contundente: “O Brasil precisa sair do Twitter e ir para a vida real. Ninguém consegue emprego, vaga na escola, creche, hospital por causa do Twitter”

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
“O governo é um deserto de ideias. Se tem propostas, eu não as conheço. Qual é o projeto do governo Bolsonaro fora a Previdência? Não se sabe”. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) continua “batendo” no governo Bolsonaro. Em entrevista às jornalistas Vera Rosa, Naira Trindade e Renata Agostini, de O Estado de S.Paulo, Maia fez duras críticas ao imobilismo da administração. Em sua avaliação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é “uma ilha” dentro do Executivo. O presidente da Câmara enfatizou que o governo não tem projeto para o país além da reforma da Previdência. Nesta sexta-feira (23), Maia disse...

“O governo é um deserto de ideias. Se tem propostas, eu não as conheço. Qual é o projeto do governo Bolsonaro fora a Previdência? Não se sabe”. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) continua “batendo” no governo Bolsonaro.

Em entrevista às jornalistas Vera Rosa, Naira Trindade e Renata Agostini, de O Estado de S.Paulo, Maia fez duras críticas ao imobilismo da administração. Em sua avaliação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é “uma ilha” dentro do Executivo.

O presidente da Câmara enfatizou que o governo não tem projeto para o país além da reforma da Previdência. Nesta sexta-feira (23), Maia disse que não pretende mais fazer parte da articulação para a aprovação do projeto, em função de ataques que vem sofrendo por parte de Carlos Bolsonaro, via redes sociais.

Maia disse que vai continuar fazendo seu trabalho, mas fez várias críticas e advertiu que Bolsonaro precisa deixar o Twitter de lado.

Em relação à declaração do presidente, que comparou as dificuldades no relacionamento às brigas de um namoro, o deputado do DEM afirmou que, se Bolsonaro ficar sem conversar com ele até o fim do mandato, não haverá problema. “Não preciso falar com ele. O problema é que ele tem de conseguir várias namoradas no Congresso. São os outros 307 votos que ele precisa conseguir. Eu já sou a favor. Ele pode me deixar para o fim da fila”.

Alguns trechos da entrevista:

“Entendo que o governo eleito não pode terceirizar sua responsabilidade. O presidente precisa assumir a liderança, ser mais proativo. O discurso dele é: sou contra a reforma, mas fui obrigado a mandá-la ou o Brasil quebra. Ele dá sinalização de insegurança ao Parlamento. Ele tem que assumir o discurso que faz o ministro Paulo Guedes. Hoje, o governo não tem base. Não sou eu que vou organizar a base. O presidente da Câmara sozinho, em uma matéria como a reforma da Previdência, não tem capacidade de conseguir 308 votos”.

“O Brasil precisa sair do Twitter e ir para a vida real. Ninguém consegue emprego, vaga na escola, creche, hospital por causa do Twitter. Precisamos que o País volte a ter projeto. Qual é o projeto do governo Bolsonaro, fora a Previdência? Fora o projeto do ministro Moro? Não se sabe. Qual é o projeto de um partido de direita para acabar com a extrema pobreza? Criticaram tanto o Bolsa Família e não propuseram nada até agora no lugar. Criticaram tanto a evasão escolar de jovens e agora a gente não sabe o que o governo pensa para os jovens e para as crianças de zero a três anos. O governo é um deserto de ideias”.

“As pessoas precisam da reforma da Previdência e, também, que o governo volte a funcionar. Nós temos uma ilha de governo com o Paulo Guedes. Tirando ali, você tem pouca coisa. Ou pouca coisa pública. Nós sabemos onde estão os problemas. Um governo de direita deveria estar fazendo não apenas o enfrentamento nas redes sociais sobre se o comunismo acabou ou não”.

“Certamente, conheço a Câmara muito melhor do que o ministro Moro. E sei como eu posso ajudar o projeto sem atrapalhar a Previdência. O que me incomodou? O ministro passou da fronteira. Até acho que em uma palavra ou outra me excedi, mas, na média, coloquei a posição da Câmara. O governo quer fazer a nova política. Nós queremos participar da nova política”.

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