Rodrigo Vianna

Escrevinhador

Por Rodrigo Vianna

16 de abril de 2018, 22h08

Bolsonaro se apóia nos brancos e nos mais ricos; Lula tem 50% dos votos totais no Nordeste: veja aqui detalhes do DataFolha

por Rodrigo Vianna A análise mais aprofundada dos números do DataFolha (para além das manchetes e da torcida ridícula contra Lula, nos jornais golpistas) indica alguns dados importantes. Pouca gente se debruçou sobre os dados, que podem ser consultados neste link. Como são muitos os cenários na pesquisa, vamos basear nossa análise aqui no cenário […]

por Rodrigo Vianna

A análise mais aprofundada dos números do DataFolha (para além das manchetes e da torcida ridícula contra Lula, nos jornais golpistas) indica alguns dados importantes. Pouca gente se debruçou sobre os dados, que podem ser consultados neste link.

Como são muitos os cenários na pesquisa, vamos basear nossa análise aqui no cenário C de primeiro turno (com Lula/Bolsonaro/Marina/Barbosa/Alckmin/Ciro e outros) – sugiro a leitura das páginas 30 e 35 do relatório completo do DataFolha, acima linkado.

Segue a ser impressionante a forma como Bolsonaro domina as intenções de voto dos mais ricos e dos mais escolarizados. Enquanto Lula, por sua vez, tem domínio absoluto na base da pirâmide.

A seguir, um resumo dos resultados que não apareceram claramente na internet, nem nas páginas dos jornais.

1 – DATAFOLHA/PRIMEIRO TURNO (CENÁRIO C – RECORTE POR RENDA)

Mais de 10 salários mínimos

Bolsonaro – 29
Lula – 18
Barbosa – 12
Alckmin – 7
Ciro – 6
Marina – 4

X

Até dois salários mínimos

Lula – 39
Bolsonaro – 20
Marina – 11
Barbosa – 6
Alckmin – 5
Ciro – 4

2 – DATAFOLHA/PRIMEIRO TURNO (CENÁRIO C – RECORTE POR ESCOLARIDADE)

Nível superior

Bolsonaro – 21
Lula – 20
Barbosa – 15
Marina – 8
Alckmin – 6
Ciro – 5

X

Ensino fundamental

Lula – 38
Marina – 9
Bolsonaro – 7
Alckmin – 6
Ciro – 6
Barbosa – 4

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A análise por região e pela cor da pele dos entrevistados também mostra um quadro muito definido: Bolsonaro alcança seus melhores índices entre brancos (19% x 21% para Lula) e moradores do Centro-Oeste (24% x 23% de Lula); no Sudeste e no Sul, está numericamente atrás de Lula, mas em situação de empate técnico com o petista.

Lula é imbatível no Nordeste. E o favorito de negros e pardos. No primeiro turno, o pré-candidato do PT (preso de forma arbitrária) alcança 50% dos votos totais no Nordeste (Bolsonaro tem 7%, mesmo índice de Marina; Alckmin tem ridículos 3% na região).

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Quando partimos para os cenários de segundo turno, o recorte regional, e também por gênero e renda aponta grandes flutuações.

Vejamos alguns exemplos…

DATAFOLHA/SEGUNDO TURNO:  LULA 48% X 31% BOLSONARO  

1 (RECORTE POR GÊNERO)

HOMENS: LULA 45% X 39% BOLSONARO
MULHERES: LULA 52% X 25% BOLSONARO

2 (RECORTE POR RENDA)

MAIS DE 10 S.M: LULA 32% X 44% BOLSONARO
ATÉ 2 S. M.: LULA 59% X 24% BOLSONARO

3 (RECORTE POR REGIÃO)

SUDESTE: LULA 38% X 38% BOLSONARO
NORDESTE: LULA 72% X 13% BOLSONARO

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Se dependesse dos mais ricos e dos eleitores do Sudeste, o candidato da extrema-direita poderia bater Lula ou chegar muito perto de um empate técnico. As mulheres, os mais pobres e os eleitores do Nordeste parecem ser o grande bastião para impedir o avanço de Bolsonaro.

Mais que isso: o apoio a Lula no Nordeste é tão massacrante que parece indicar o acerto daqueles que defendem a candidatura de Jacques Wagner: o ex-governador da Bahia teria, em tese, mais chance do que Haddad de – numa campanha curte e cheia de entraves para o PT (
tudo leva a crer que Lula estará preso e incomunicável ao longo da campanha) – recolher boa parte desse apoio impressionante de votos.

O DataFolha indica que dois terços dos eleitores de Lula (30% do total) tendem a votar em quem ele indicar: isso aponta para uma possibilidade de um petista com apoio de Lula recolher 20% dos votos. O apoio do PT entre os eleitores também está em 20%.

Tudo isso indica que um candidato apoiado por Lula tem condições excepcionais para chegar às urnas com 20% dos votos (no mínimo), indo ao segundo turno.

Um candidato nordestino parece ter mais condições de ocupar esse espaço, apoiando-se sobretudo nos mais pobres e menos escolarizados.

Ao contrário do que dizem as manchetes, o apoio ao lulismo está onde sempre esteve, desde 2006. E Lula, preso, tem muito mais influência sobre as eleições do que Alckmin e FHC soltos e protegidos pelo Judiciário.

 


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