Rodrigo Vianna

Escrevinhador

Por Rodrigo Vianna

20 de agosto de 2018, 18h09

Lula dispara nas pesquisas; eleitor rejeita privatizações, e tucano Alckmin patina abaixo de 5%

Os números da pesquisa CNT/MDA apontam que (descontados brancos e nulos) Lula estaria a 2 pontos de vencer a eleição no primeiro turno. Alckmin patina, e o programa privatista - associado ao PSDB - é rejeitado pelos eleitores. Pesquisa Ibope, divulgada logo depois, indica quadro muto parecido.

O resultado da pesquisa CNT/MDA, que aponta o avanço de Lula e do PT na campanha presidencial, já seria suficiente para apavorar os estrategistas do golpe jurídico-midiático:

Lula (PT) – 37,3%

Bolsonaro (PSL) – 18,8%

Marina (Rede) – 5,6%

Alckmin (PSDB) – 4,9%

Ciro (PDT) – 4,1%

Alvaro (Podemos) – 2,7%

Boulos (PSOL) – 0,9%

Amoêdo (Novo) – 0,8%

Meirelles (MDB) – 0,8%

Daciolo (Patriota) – 0,4%

Outros – 0,4%

Lula cresceu cinco pontos desde o levantamento CNT/MDA de maio, o que indica que a decisão da ONU exigindo a libertação do ex-presidente, e a campanha eleitoral que se inicia nos Estados fazem consolidar-se a ideia de que o candidato do PT é perseguido e vítima de injustiça.

Alckmin naufraga fragorosamente, abaixo dos cinco pontos. Mais que isso: o tucano tem potencial de voto (eleitores que dizem considerar, talvez, a hipótese de votar nele) abaixo de Marina e Ciro, e bem abaixo de Bolsonaro.

Outra pesquisa, da Ipsos/Estadão, publicada no último fim-de-semana,já mostrara que o  tucano é também o campeão nacional de desaprovação entre os candidatos (70% rejeitam o candidato do PSDB e do “mercado”). Lula é o que tem maior aprovação (próxima dos 50%).

Você que vive nas bolhas de classe média em São Paulo/Rio/Brasilia/Curitiba deve ficar espantado né? Afinal, “todo mundo” passou os últimos anos ouvindo Lula ser chamado – em ambiente públicos – de “ladrão”, “chefe da quadrilha”, “molusco”. E o povão não reagia, não o defendia, ouvia a tudo em silêncio.

O povo brasileiro, vilipendiado, acostumado a ser tratado de forma violenta e humilhante pela elite e a classe média, prefere resistir em silêncio.

Mas a pior notícia para a Globo, os Bancos e a parcela golpista do Judiciário é observar que o programa neoliberal segue ultraminoritário no Brasil.

A pesquisa CNT/MDA também perguntou ao eleitor qual seria a reação dele diante de um candidato que prometa privatização: só 17% disseram que “aumentaria a chance de votar nele”; para 31,8%, seria indiferente; e 38,8% afirmaram que “diminuiria a chance” de votar num candidato associado às privatizações.

Alckmin e Meirelles, candidatos do mercado, estão amarrados não apenas ao desastre que foi o governo Temer. Mas amarrados a um programa indefensável num país tão desigual, e que precisa de mais Estado – e não menos Estado como macaqueia a subclasse média.

A elite brasileira está numa enrascada. Deu o Golpe contra Dilma imaginando que, longe do poder, Lula encolheria e iria parar na cadeia já abatido e derrotado. O plano golpista era prender Lula quando ele tivesse uns 10% de apoio na sociedade, encerrando assim o ciclo petista.

Deu tudo errado.

Essa gente não conhece o Brasil. Desconhece a capacidade de resistência passiva do povo pobre e do trabalhador brasileiro.

Este blogueiro jamais acreditou em certas “previsões”:

– o PT acabou, vai sobreviver como um fantasma;

– Lula acabou, virou um presidiário desmoralizado;

– Alckmin chegará à presidência, reunindo apoios do Centrão e do grande empresariado.

Nada disso se confirmou.

Há pelo menos dois meses, insisto que essa eleição se dará sob o signo “anti-sistema”. A brilhante elite brasileira fez o favor a Lula de jogá-lo (aos olhos do povo) para fora do sistema.

Lula caminha para se transformar em algo parecido com Getúlio Vargas. Este cometeu o suicídio em 1954, e só então a imprensa e a elite compreenderam o tamanho da ligação estabelecida entre Vargas e o povo trabalhador.

Lula foi preso, humilhado, vilipendiado. E só agora a elite brasileira começa a entender o tamanho da ligação existente entre Lula e o povão.

O final desse processo ninguém sabe qual será. Mas não deixa de ser divertido notar a surpresa de colegas jornalistas e “analistas” de mercado ao ver Lula cada vez mais forte.

É a história, estúpido! Ela volta sempre e é implacável.

Divulgado no começo da noite desta segunda (20/agosto), pesquisa Ibope mostra quadro muito parecido:

Lula (PT) 37%

Bolsonaro (PSL) 18%

Marina (Rede) 6%

Ciro (PDT) 5%

Alckmin (PSDB) 5%

Alvaro (Podemos) 3%

Eymael (DC) 1%

Boulos (PSOL) 1%

Meirelles (MDB) 1%

Amoedo (Novo) 1%

Outros – não pontuaram


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