Rodrigo Vianna

Escrevinhador

Por Rodrigo Vianna

08 de março de 2018, 14h50

Vivam as mulheres, deixem as mulheres viver

A linda foto que ilustra esse texto eu tirei de postagem feita hoje mesmo pela amiga Renata Mielli. Mostra o encontro possível entre o que costumamos (costumamos quem? Ora, a minha geração que está envelhecendo) considerar a marca do “masculino” (a força, a agressividade) com o que costumamos considerar a marca do “feminino” (o amor, […]

A linda foto que ilustra esse texto eu tirei de postagem feita hoje mesmo pela amiga Renata Mielli. Mostra o encontro possível entre o que costumamos (costumamos quem? Ora, a minha geração que está envelhecendo) considerar a marca do “masculino” (a força, a agressividade) com o que costumamos considerar a marca do “feminino” (o amor, o acolhimento).

Mas quem disse que as duas energias não se cruzam dentro de cada homem e de cada mulher? Que os homens aprendam a temperar com afeto a sua força – tantas vezes desmedida. E que as mulheres empunhem todas as armas – sejam flores ou armas de verdade, nos embates pela libertação do ser humano.

Com essa foto, lanço um salve geral pras mulheres da minha vida.
Minha mãe, primeira mulher a me amar, com quem os embates que travo ainda hoje, nos abismos internos, me ensinam e me estimulam a ser um homem melhor.

Um salve para minha irmã e sobrinhas queridas. Minhas doces avós. Minhas tias queridas, e primas. Minha cunhada.

Um salve especial pra as mães de meus filhos – com elas, nasci de novo neste mundo. Três vezes.

Um salve pras amigas de todas as épocas: que alegria ter amigas mulheres, ouvi-las de verdade, aprender com elas.

Um salve para as mulheres que amei. Todas. Inclusive para aquelas que não soube ou não pude amar como gostaria. E minhas desculpas às que magoei. Vocês já estão (desde sempre) desculpadas pelas mágoas e marcas que podem ter deixado nesse homem tosco e atrapalhado (e qual não é?).

É um dia de luta o 8 de março. Mas pode ser um dia de reflexão. Para mim, por vários motivos, está sendo assim.

A certeza, por fim, de que a frase de Freud (“morro sem saber afinal o que querem as mulheres”) deveria ser aposentada.

Porque tenho certeza que as mulheres perguntam a mesma coisa sobre os homens… O que querem os homens que agridem mulheres? O que querem os homens que magoam profundamente as mulheres?

A luta das mulheres é delas.

Os homens, na melhor das hipóteses, podem aplaudir e tentar ser homens melhores – o que inclui (com quase 50 anos posso dizer isso, ufa, sem o medo que o machismo embute em cada um de nós) ser um pouquinho mulher.

Vivam as mulheres! Deixem as mulheres viver.