São Paulo e a Globo querem outro 32: o Brasil vai reagir?

São Paulo é o nó do Brasil. E os paulistas com raiva fazem besteira. Fizeram em 32: a paulistada foi dar tiro na trincheira em 32! Hoje, falta pouco pra isso. Há um ódio que escorre pela sarjeta - insuflado por blogueiros valentões...

por Rodrigo Vianna

1932Vamos por partes: já escrevi sobre a megaoperação da Globo – que usou o seu poder de agitação para chamar a manifestação durante toda a manhã de domingo.

A estratégia foi um “esquenta”, inflando os atos da manhã (em geral, fracos), mas concentrando tudo no ato na Paulista à tarde.

Havia um discurso ensaiado dos repórteres, em que se escondia do público todo viés militaresco dos manifestantes. Na Globo, tudo se resumia a uma “manifestação das famílias, pela Democracia, contra Dilma e a corrupção” (clique aqui para ver mais).

A Globo foi a central de operações do dia 15. E o teatro de operações foi a Paulista. 

Reparem: Ronaldo gordo é do Rio, mas foi pra Paulista vestindo camiseta do Aécio; Ronaldo Caiado é goiano, mas foi pra Paulista. Artistas globais, tucanos, demos e a Globo: tudo convergiu pra Paulista.

Ali Kamel e seus subalternos fizeram um show. Os números iam crescendo: 280 mil na Paulista, meia hora depois eram 500 mil pessoas. E, numa mesma entrada ao vivo, eu vi a apresentadora no estúdio da Globo falar em 500 mil, e na sequencia o repórter falar: “não, a PM atualizou para 1 milhão de pessoas”. Em 15 minutos! Fenômeno…

Claro que não havia 1 milhão na Paulista. Não cabe! (clique aqui para ler o texto completo com as contas e os números – que evidenciam a manipulação da Globo).

Sim, de toda forma, havia muita gente: cerca de 200 mil ou 250 mil. Mas isso não deve apavorar ninguém.

Na Argentina e na Venezuela, a direita põe milhares nas ruas, há mais de 5 anos. E não ganha. A diferença é que lá o governo enfrenta. Faz a batalha de comunicação.

De resto, lembremos: São Paulo é o nó do Brasil. E os paulistas com raiva fazem besteira. Fizeram em 32 – quando a elite cafeeira insuflou a classe média a lutar contra o governo central.

A paulistada foi dar tiro na trincheira em 32! Hoje, falta pouco pra isso. Há um ódio que escorre pela sarjeta –  insuflado por blogueiros valentões (como esse aqui, o Reinaldo descontrolado) e pela Globo.

Na eleição, os paulistas deram dois terços dos votos para Aécio. Em bairros ricos, que circundam a Paulista, a proporção passou dos 80% dos votos contra o PT!

Sim, havia uma imensa maioria de classe média na Paulista neste domingo. Mas é verdade que em São Paulo o ódio transpassa a elite e chega ao povo. Havia, sim, parcelas (minoritárias) de povão, da tal classe C na manifestação deste domingo.

De novo, nenhuma novidade. Em São Paulo, em 2014, bairros de Classe C votaram em Aécio numa proporção de 60 x 40. Isso, de alguma forma se refletiu na rua do dia 15. Mas seria tolo não reconhecer que a direita ganhou força, e está no ataque.

Em outras partes do Brasil, não foi assim: no Rio e em BH, mas principalmente no Nordeste, nesse dia 15 a elite branca é que foi gritar seu ódio contra Dilma, contra o PT. Tudo disfarçado de “combate à corrupção”. Em Salvador, não havia negros na rua. Parecia Blumenau. No Rio, era a zona sul protestando com ajuda da Globo.

Sim, há motivos para estar insatisfeito com o governo. Isso é uma coisa. Mas a explosão de ódio que vimos na eleição, e vemos agora de novo (sobretudo em São Paulo), é bem mais que isso.

O Nordeste e o povo trabalhador precisam se preparar porque os paulistas estão querendo armar outro 1932.

Esqueçam São Paulo nos próximos 3 ou 4 anos. Isso aqui está perdido. A direita extremada vai avançar. E a direita extremada que não se cria em outras partes vai correr pra cá. Quanto mais mostrar sua cara (queimando diretórios do PT, ou ‘enforcando’ bonecos de Lula e Dilma – como fizeram hoje em Jundiaí), mais o Brasil vai perceber qual o caráter da luta que será travada neste país.

O resumo da luta é esse: elite paulista+Globo x povo trabalhador do Brasil.

Se essa batalha ficar clara, os trabalhadores vão ganhar. De novo.

Na soma de todo o Brasil, e com apoio maciço e descarado da Globo, essa gente não botou 1/2 milhão nas ruas. A Dilma, com o país em crise, e com todos os erros políticos, ganhou com 54 milhões de votos.

O Brasil não é a Paulista da direita extremada, não é a Globo.

Mas só é possível enfrentara direita se Dilma mudar a politica. E se Lula sair da toca. Mãos á obra! Vamos enfrentar essa gente – que vagou feito zumbi pelas tristes ruas da minha cidade. São Paulo da garoa virou São Paulo da seca e do ódio.

P.S.: meia hora depois de escrever esse texto, vi que DataFolha estimou em 210 mil o número de manifestantes na Paulista. A PM fala em 1 milhão. Estranhamente, na hora de dar números do Brasil, aí UOL usa os números da PM. O fato é que a Globo e a PM estão inflando. A direita foi pra rua, mas não vai falar sozinha.


14 comments

  1. marcelo sem teto Responder

    Eu moro na perifa e ando de trem, sou pobre e negro…mas eu estava la…não fui pago por nenhuma elite..chupem seus corruPTos…o brasil é mais que petralhas. Estão com medo de SP? Aguardem muito mais.

    1. Roberto de Paulo Responder

      Vai coxinha mentiroso,é um reaça idiota,não sabe nada,só assiste globosta,e é um alienado,fã do entreguista FHC,o fracassado.

      1. Ronaldo Responder

        Não vai me dizer que além de tudo que está acontecendo no Brasil, tem orgulho do PT. O PT está acabando com o Brasil, aposto que muito de seus familiares estão sofrendo as consequências, a não ser que seja algum intruso do PT, porque só eles gostam do PT, está virando uma nação PT x TODOS contra PT..Una-se a nós ou vire Nosso inimigo.

  2. Ricardo Campos Responder

    Análise correta, Rodrigo. O governo e os trabalhadores precisam acordar para enfrentar o ódio da extrema direita brasileira. Sou mineiro: e Minas rejeitou o candidato da direita no voto.

    1. Ronaldo Responder

      Tanto é Ricardo que estamos nessa situação por causa de Minas e Rio que elegeram a Dilma, agora sofremos as consequências, muitos que a votaram perderam seus empregos, mexeu no direito do trabalhador e aposto que VC tb sentiu-se prejudicado, agora se vc quiser viver de Bolsa familia, aí é outra história. VC ainda sente se orgulho por ter voltado neste PT que está acabando com o Brasil ?? Ou acabemos com o PT ou o PT acaba com nois, como diz o Bebum Lula.

  3. Leila Vaz Perrone Responder

    Belíssima análise!
    Quanto ao golpe de 32, achei um pouco exagerado, mas excelente leitura!

  4. Leila Vaz Perrone Responder

    Belíssima análise!
    Quanto ao golpe de 32, achei um pouco exagerado, mas excelente leitura!

  5. sergio m pinto Responder

    Incrível, que um texto desses merecesse um comentário de um “pobre” que foi para a Paulista. Creio que uma das coisas que podem mudar esse país seja educação de boa qualidade, com ênfase em História.

    1. Roberto L. Responder

      Sergio, isso se foi de um “pobre” mesmo, é mais provável que seja de um troll da “elite branca” mentindo de novo (“virtude” que eles cultivam com maestria).

  6. Alexandro Rodrigues Responder

    Eu confesso que ainda estou incapaz de tecer uma opinião clara sobre o que ocorreu ontem.

    Mas eu me pergunto: como vou defender, na periferia onde moro, o governo que num momento de alta tensão política resolveu mexer em direitos de trabalhadores, os mesmos que poderiam estar agora sendo chamados para defender o governo? Como vou defender um governo que disse que a melhor regulação da mídia é o controle remoto? Como vou defender um governo que foi covarde no confronto com a elite branca golpista desde 2011, quando pensou que seria aceito por eles (o que na verdade era uma tática muito bem descrita pelo Escrevinhador numa artigo clássico que falava sobre o fatiamento do PT, Lula e Dilma, na linha de ataque). Como defender?

    Por mais incompreensão eu continuo resistindo. Depois de 8h de trabalho no dia 13 fui pra Paulista, debaixo de chuva, fiquei cerca de 1h e depois fui pra aula. Continuo resistindo porque o que está em jogo é mais do que a Dilma e o PT. O que está em jogo é o meu direito de escolha. O direito de escolha da maioria. Infelizmente, Dilma ainda não percebeu. Lula, o sumido, ainda não percebeu. O PT então coitado, este está quase morto. A elite que oprime ganha aliados na periferia oprimida. E assim a história se repete. O povo brasileiro de verdade, novamente, se auto sabota e novamente cantaremos por amanhãs que jamais virão. Pobre Brasil….

  7. Igor_ Responder

    Como 100% esperado o PIG obteve o que queria dia 15. Um show de golpismo nas ruas. Não tinha como ser diferente afinal desde que Lula eleito o PIG vem fazendo seu trabalho: implantando ódio na população, planejadamente e propositalmente. Somente o PT não viu, não quer ver e ainda parece não ver isso. Para não te reagido desde do inicio como sérias medidas contra o PIG como regulamentações, democratização da mídia ,etc. Agora c/ o trabalho já feito o PIG & Cia* (*afinal nos não sabemos exatamente a quais interesses $$$ estão por trás disso tudo não é mesmo? ) partirão com tudo para tentar tirar Dilma na marra ! Portanto o PT que se cuide que o negócio vai ser 100% feio !

  8. Roberto L. Responder

    Vianna, perfeita a análise. Matou a charada. O ódio que move essa turma que foi ontem à Avenida Paulista não é “petrolão”, corrupção, nada disso, é ressentimento mesmo como em 1932.

    A burguesia paulista financista (e alguns industriais imbecis) sentindo perder poder com o crescimento de outras regiões e estados, mesmo que não de forma tão rápida, começou a incitar o ódio ao projeto nacional do Lula e da Dilma, que é o de criar de fato uma nação, um país e não perpetuar aquele Brasil desigual regionalmente que essa burguesia formou com a ditadura militar e antes dela (mas principalmente na ditadura de 64).

    Acrescente o petróleo e o pré-Sal obviamente, mas isso é um interesse maior por parte dos EUA, por parte dessa burguesia tosca de SP, a visão de mundo provinciana deles é que estão “tirando o status” de “locomotiva” deles do país, e eles repassam esse ódio pras classes mais baixas e classe média, como fizeram em 1932 pra confrontar Vargas (a mesma coisa, foram contra projetos nacionais e queriam perpetuar a política café com leite).

    É triste que a esquerda de SP, quando a gente diz isso, fica de beicinho e irritadinha porque na cabeça deles “estão atacando São Paulo” (veja que a propaganda da elite tb atinge esse pessoal). Se a Dilma for estadista (com ajuda de Lula), segue o que vc sugeriu: isola São Paulo, deixa esses coxinhas relinchando lá, se matando e faz um pacto com o resto do país, principalmente entre Minas e Rio (faz outro eixo).

    Se SP depois quiser aderir (quando se livrar do fascismo, isso só ocorrerá de forma espontânea pelo pro´prio povo quando caírem em si que estão se isolando), será sempre bem-vindo, mas com espírito secessionista, nunca.

  9. Roberto de Paulo Responder

    Foi uma manifestação coxinha,aqueles que perderam,perderam em tudo,na vergonha,no caráter,na burrice,um bando de abestados,curral de reaças,duvido que tinha ELEITORES da DILMA PT,tinha até campanha,pela manifestação,500mil,1milhão,só isto,somos 54 milhões,querem guerra,terão.No bom sentido,ou querem de outro modo!

  10. Euler Responder

    A luta de classe assume a sua face mais nítida. Há um impasse claro, que não será contornado com medidas paliativas. Dilma precisa entender que, de certa forma, o novo governo dela acabou antes de começar. Mas, ungido pelas urnas, ela tem toda força moral para recomeçar tudo. Terá que ter um pouco de humildade e formar um conselho político que será maior do que ela – embora o próprio gesto de formar um conselho assim já lhe enaltece.

    Este conselho político seria composto por um leque de figuras de respeito e autoridade moral, como: Lula, Ciro Gomes, Requião, os diplomatas Samuel Pinheiro, Marco Aurélio e Celso Amorim; líderes do MST, MTST, CUT e UNE; Franklin Martins, e lideranças dos partidos aliados – PMDB, PCdoB, entre outros.

    De imediato, o governo deveria suspender as medidas de ataque ao seguro desemprego e das pensões. Isso fere somente o bolso dos de baixo. Inaceitável isso, Dilma, ainda mais tendo feito campanha falando que não ia cortar direitos dos trabalhadores. Crie um novo imposto para taxar os ricos e voltado para financiar a Educação e a Saúde e você terá multidões nas ruas te apoiando. Imagine: R$ 100 bilhões retirados dos ricos para sustentar um aumento de salário dos educadores do país de 30%, pelo menos. São quatro milhões de educadores, fora os alunos e pais de alunos que sustentariam seu governo nas ruas, Dilma, desde que haja debate político e ideológico em torno do tema.

    Uma outra medida emergencial que deveria ser tomada: transporte coletivo gratuito para idosos, estudantes, desempregados e beneficiários do Bolsa Família. Você terá um milhão de pessoas na ruas protestando, principalmente em SP, mas vai ter 20 milhões nas praças e ruas de todo o Brasil sustentando o seu governo, Dilma.

    Uma outra medida: detornar a Rede Globo. Corte imediato de qualquer verba publicitária para a mídia golpista. Pode até chamar a Record para uma conversa mais franca, para que escolha de que lado ela quer ficar – no caso, o bispo Macedo. Ele pode escolher: do lado da Globo, que vai cassar a sua TV assim que derem o golpe, ou do lado do governo federal, que vai manter as verbas publicitárias.

    Além disso, o governo precisa partir pra cima da elite. Colocar a Polícia Federal para investigar os casos que a mídia e a justiça esconderam do povo brasileiro: Banestado, privataria tucana, sonegação da Globo, mensalão mineiro, Lista de Furnas, Trensalão. E retirar a PF dessa operação Golpe Rápdio, também conhecida como Lava Jato. Para isso, Dilma, você precisa colocar outro ministro na pasta da Justiça. O Zé Cardozo não aguenta o tranco, como diz PHA.

    Enfim, com essas e outras medidas – casas populares para os mais pobres, mais investimento na saúde pública e na educação, etc., além de uma reforma política que acabe com o financiamento privado das eleições – , o governo deve chamar os movimentos sociais, as centrais sindicais, os sindicatos, os estudantes, para participar do conselho político de governo e convocar a população para as ruas toda vez que se fizer necessário. Se a direita colocar um milhão de mauricinhos e patricinhas, nós temos a obrigação de colocar 5 ou 10 milhões – desde que o governo dê uma guinada na sua política.

    Faltou mídia? Enquanto não se constrói emergencialmente uma rede nacional de rádios e TVs, convoque a rede de rádio e TV da mídia golpista, diariamente, se necessário, já serão muitos os projetos a anunciar para a população. Coloque o conselho político para conversar com população. Crie um portal na Internet e grave diariamente novos vídeos, e textos, e fotos, e entrevistas, e novidades em favor da população.

    E se faltar dinheiro, Dilma, lembre-se que nós temos três fontes: as reservas internacionais (20% já daria); os cofres do BNDES e da CEF; e as fortunas dos Marinhos e outros, que não podem deixar de devolver ao Brasil tudo o que eles tiraram nos últimos 50 anos, pelo menos.