Imprensa livre e independente
06 de junho de 2007, 20h26

Rondeau pede demissão “irreversível”; Sarney faz o anúncio

José Sarney (PMDB-AP) é padrinho político de Silas Rondeau e, desde a véspera, aconselhou-o a não ficar no cargo, diante de investigações da Polícia Federal que envolvem seu nome no sistema de fraudes trazido a público pela Operação Navalha

José Sarney (PMDB-AP) é padrinho político de Silas Rondeau e, desde a véspera, aconselhou-o a não ficar no cargo, diante de investigações da Polícia Federal que envolvem seu nome no sistema de fraudes trazido a público pela Operação Navalha Por Vermelho O ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se reuniu nesta terça-feira (22). “Ele me disse que entregou a carta para deixar o cargo de maneira irrevogável”, afirmou o senador José Sarney (PMDB-AP), padrinho político de Rondeau, que desde a véspera aconselhou-o a não ficar...

José Sarney (PMDB-AP) é padrinho político de Silas Rondeau e, desde a véspera, aconselhou-o a não ficar no cargo, diante de investigações da Polícia Federal que envolvem seu nome no sistema de fraudes trazido a público pela Operação Navalha

Por Vermelho

O ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se reuniu nesta terça-feira (22). “Ele me disse que entregou a carta para deixar o cargo de maneira irrevogável”, afirmou o senador José Sarney (PMDB-AP), padrinho político de Rondeau, que desde a véspera aconselhou-o a não ficar no cargo, diante de investigações da Polícia Federal que envolvem seu nome no sistema de fraudes trazido a público pela Operação Navalha.

A assessoria de Rondeau havia informado que ele daria uma entrevista à imprensa após o encontro com Lula. No entanto, a coletiva foi cancelada, enquanto se espera a divulgação de uma nota ainda nesta terça-feira.

Fitas são do serviço de segurança do ministério Silas Rondeau é apontado pela Operação Navalha, da Polícia Federal, como receptor de uma propina de R$ 100 mil, supostamente paga pela construtora Gautama, acusada pela PF de coordenar um esquema destinado a fraudar licitações. A PF tem gravações telefônicas e fitas de vídeo que comprovariam a acusação.

Veja também:  Depois de vídeo de pastor dizendo que foi "escolhido por Deus", Bolsonaro tuita seguidores rezando Pai Nosso

As fitas foram gravadas por câmeras do serviço de segurança do Ministério de Minas e Energia. Mostram uma funcionária da Gautama, Fátima Palmeira, entrando no ministério pelo elevador privativo no dia 13 de março. Ela carrega um envelope de cor parda, no qual a PF acredita que estavam R$ 100 mil. O dinheiro teria sido entregue a Ivo Almeida Costa, assessor especial do Ministério e uma das 46 pessoas presas na quinta-feira, quando a Operação Navalha foi deflagrada.

Ivo Costa prestou depoimento nesta terça-feira à ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, durante cerca de uma hora. Após depor, teve a prisão revogada pela ministra.

Sarney: “Ele é correto e decente” O ministro nega ter recebido propina, embora tenha decidido responder à acusação fora do governo. Ele argumenta que foi o responsável pela entrada da Polícia Federal nos gabinetes do Ministério, tão logo tomou conhecimento das investigações das PF, a quem diz ter fornecido vários documentos.

“Acho correto porque ele é correto e decente e tem o dever de deixar o presidente Lula numa situação confortável”, afirmou Sarney. Segundo informou a jornalista Cristiana Lôbo, da Globo News, o senador já apresentou nomes para suceder Rondeau.

Veja também:  Globo se mantém no ataque e Míriam Leitão faz artigo duro contra Bolsonaro: "Não sabe governar"

Antes de se reunir com o ministro demissionário, Lula esteve com Sarney e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também bancou a participação de Rondeau nas Minas e Energia.

O ministro demissionário, maranhense como Sarney, assumiu a pasta das Minas e Energia em 2005, quando Dilma Roussef foi promovida a titular da Casa Civil. É visto como um técnico, mas fazia parte da cota de ministros indicados pelo PMDB na reforma partidária deste ano.

Para Lula, PF deve “ir fundo, doa a quem doer” A saída de Rondeau foi confirmada pelo governo federal por meio de nota à imprensa do Ministério de Minas e Energia. Na reunião do ministro demissionário com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, participaram também os titulares da Justiça, Tarso Genro, e da Casa Civil, Dilma Rousseff. Chegou a ser cogitado, segundo observadores, um afastamento temporário, durante a investigação, hipótese desmentida pelo anúncio feito por Sarney.

Horas antes da reunião com Rondeau, Lula fez mais uma defesa da atuação da Polícia Federal. “As investigações têm que ir fundo, doa a quem doer”, disse Lula aos ministros da coordenação, segundo uma fonte oficial do Palácio do Planalto citada pela agência Reuters.

Veja também:  Moro terá que solicitar informações ao Panamá sobre empresa que negociou com Flávio Bolsonaro

Vermelho

Fórum em Brasília, apoie a Sucursal

Fórum tem investido cada dia mais em jornalismo. Neste ano inauguramos uma Sucursal em Brasília para cobrir de perto o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Clique no link abaixo e faça a sua doação.

Apoie a Fórum