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02 de março de 2019, 08h08

Rouanet, Petrobrás Cultural, vai pra Venezuela e volta pra Cuba, por Paulo Freire

“Se não fosse a Petrobras Cultural e a Lei Rouanet, nunca poderia ter realizado este projeto, escrever os causos sobre nossa mitologia”, conta em artigo o violeiro Paulo Freire sobre o CD e livro “Nuá”

Foto: Cedoc/FPA
Por Paulo Freire* Em 2009 lancei o CD “Nuá – as músicas dos mitos brasileiros”. Fui selecionado por um edital da Petrobrás Cultural. No projeto estavam também previstos 9 shows de lançamento pelo Brasil. Confesso que não cumpri o que havia prometido no projeto. Sim, foi mal… é que, além do CD, escrevi um livro de causos sobre o tema, e em vez de 9, fiz 12 shows pelo Brasil. Claro, com a mesma verba. Como todos os envolvidos poderiam receber bem por seu trabalho, fui pras alturas. Prefácio da Betty Mindlin, projeto gráfico e ilustrações do Kiko Farkas, gravado,...

Por Paulo Freire*

Em 2009 lancei o CD “Nuá – as músicas dos mitos brasileiros”. Fui selecionado por um edital da Petrobrás Cultural. No projeto estavam também previstos 9 shows de lançamento pelo Brasil. Confesso que não cumpri o que havia prometido no projeto. Sim, foi mal… é que, além do CD, escrevi um livro de causos sobre o tema, e em vez de 9, fiz 12 shows pelo Brasil. Claro, com a mesma verba.

Como todos os envolvidos poderiam receber bem por seu trabalho, fui pras alturas. Prefácio da Betty Mindlin, projeto gráfico e ilustrações do Kiko Farkas, gravado, mixado e masterizado pelo Homero Lotito, produção musical do Tuco Freire, arranjos de, desculpaê, Lea Freire, Bocato, Proveta, Paulo Braga, Toninho Ferragutti, Nenê e Sagioratto, Grupo Sonax, Grupo Ânima. A nossa violinha no meio desse povo. E os músicos convidados, uma enormidade, busca e confere, faz favor.

Se não fosse a Petrobras Cultural e a Lei Rouanet, nunca poderia ter realizado este projeto, escrever os causos sobre nossa mitologia, compor as músicas e chamar esse povo para participar. Se teve alguém que recebeu pouco pelo projeto quem foi? Ãn?? Acertou, eu, claro. Mas nessa hora que você vê a possibilidade de lidar com as grandiosidades, o que mais importa é a realização, ver os artistas envolvidos se empolgando com o assunto, o livro/CD tomando forma, chegando em suas mãos e depois viajar orgulhoso apresentando o menino.

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Agora, nesse momento que estamos vivendo, a previsão do tempo não é boa, vamos ter que trabalhar com o que está se instaurando por aí. Com a mudança de foco nestas ações, os apoios serão cada vez mais raros. O que mais me preocupa é a leva de novos artistas terem que enfrentar essa realidade. O que mais me preocupa são os mais sensíveis, que precisarão de fôlego e muito carinho de todos nós para seguirem seu caminho. Eu tô do lado da turma mais casca grossa, que já levou muito tranco e chegou até aqui, malemá equilibrando o balaio de serviço que já vem plantando e colhendo há um certo tempo. A turma mais erada.

Porque vamos continuar nos arriscando. Não nos resta alternativa. Tá apertada a situação, vamos mirar na coragem de nossos grandes exemplos, aqueles que superaram as maiores adversidades para nos mostrar que é possível apostarmos na arte. Fazer da energia do caos o rumo de nossas criações.

Se quiserem dar uma assuntada, vai aqui a faixa que abre o CD: “A Dança dos Tangarás”, que foi um causo acontecido com a família do Chico Santos, que tava tudo pra morrer e precisou dar um jeito passarinho na vida (só lendo). Essa faixa tem arranjo do Proveta. Os músicos são da Mantiqueira. A violinha eu, ué. Vai ouvindo e não esmoreçam. Nós vamos escapar.

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*Paulo Freire é violeiro, cantor e compositor, com vasta obra de pesquisa na cultura popular brasileira

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