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25 de abril de 2019, 22h50

Rui Costa: PT tem que voltar às origens

Em entrevista, governador da Bahia reconheceu erros do PT que podem ter levado à perda de eleitorado e apontou que o caminho para que o partido obtenha no restante do país o sucesso que tem em seu estado é voltar às bases: "Tem que botar o pé no morro"

O governador da Bahia, Rui Costa (PT)
A Bahia segue sendo um dos maiores redutos eleitorais do PT. Com a reeleição em primeiro turno de Rui Costa no ano passado, o partido emplacou seu quarto governo consecutivo no estado e impôs derrota para Jair Bolsonaro na maioria das cidades baianas – apenas quatro municípios elegeram o capitão da reserva. O prestígio do PT na Bahia e no Nordeste, no entanto, contrasta com o restante do país. A legenda do ex-presidente Lula amargou inúmeras derrotas em outras regiões, principalmente no Sul e no Sudeste, e vem perdendo espaço em prefeituras e assembleias estaduais. Diante da perda da hegemonia...

A Bahia segue sendo um dos maiores redutos eleitorais do PT. Com a reeleição em primeiro turno de Rui Costa no ano passado, o partido emplacou seu quarto governo consecutivo no estado e impôs derrota para Jair Bolsonaro na maioria das cidades baianas – apenas quatro municípios elegeram o capitão da reserva.

O prestígio do PT na Bahia e no Nordeste, no entanto, contrasta com o restante do país. A legenda do ex-presidente Lula amargou inúmeras derrotas em outras regiões, principalmente no Sul e no Sudeste, e vem perdendo espaço em prefeituras e assembleias estaduais.

Diante da perda da hegemonia a nível nacional, a sigla é cobrada, por diversos atores políticos, a fazer uma “autocrítica” e traçar novos caminhos para reconquistar o voto da populçao. Neste sentido, Rui Costa, por sua popularidade em seu estado, certamente é uma das pessoas mais indicadas para propor mudanças. E assim o fez.

Em entrevista coletiva concedida à blogueiros e jornalistas da mídia independente na noite desta quinta-feira (25), em São Paulo, o governador baiano fez um balanço dos erros que podem ter levado boa parte dos eleitores a abandonarem o PT.

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“Precisamos construir uma nova hegemonia política, corrigindo erros. O nosso foco foi alavancar a renda, melhorar a saúde, educação, e talvez não tenhamos dado atenção necessária para uma reforma política que estruturasse um projeto político inclusivo. O preço nós estamos pagando hoje”, afirmou.

De maneira contundente, Costa reconheceu que o PT, em seus governos federais, cedeu a interesses corporativos “que não necessariamente eram os interesses que representavam nossa visão social de distribuição de renda”.

“O Estado brasileiro foi dominado pelas corporações”, disparou, afirmando ainda que “aqueles que em tese mais se beneficiaram com o poder das corporações são quem mais vêm nos atacando”.

“Acho que houve uma confusão entre o que a gente entendia como inclusão social”, completou.

Voltar às origens

Segundo Rui Costa, o caminho para que o PT reconquiste a confiança da população “tem que passar necessariamente pelo o que foi a origem do partido”.

“O PT nasceu de núcleos nas favelas, nos  bairros, nas universidades. E isso foi se perdendo ao longo do tempo, principalmente no período que fomos governo”, pontuou.

A “fórmula”, de acordo com ele que é um dos governadores mais populares do país, é a legenda e seus políticos se reaproximarem da população.

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“Há uma uma coincidência que quanto mais próximo os governantes estão perto da população, melhor o resultado eleitoral. Completei 500 viagens institucionais pelo interior da Bahia. Pelo número de dias de governador, a cada três dias de governo, em um eu estava no interior. Isso sem contar todos os atos de rua”, disse.

“Temos que buscar reconstruir a partir do que foi a nossa história. Talvez com outras ferramentas, porque o mundo é diferente. Mas é preciso se reencontrar com as pessoas, caso contrário não vamos falar pela favela, pela periferia, pelos pobres. Os pobres deixaram de ver o PT como liderança”, apontou.

De acordo com o govenador, é preciso “colocar o pé no morro e saber do que o povo precisa”.

Relação com Bolsonaro

Na mesma entrevista, Rui Costa afirmou ainda que sua relação com o governo federal, levando em consideração que a populaçao de seu estado rejeita o presidente Bolsonaro, permanece extamente igual à relação com o último presidente, Michel Temer: “Era ruim e continua do mesmo jeito”.

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“Não vejo diferença do ano passado para esse. O que não foi pago continua sem ser pago. O governo deve R$180 milhões por causa do metrô. Deve mais R$160 milhões em recursos de vias que não foram pagos, talvez na esperança de paralisar obras e ter reflexo eleitoral. As obras não pararam porque conseguimos completar o que faltava”, revelou.

Governo desabando 

O governador da Bahia avalia que a tendência é Jair Bolsonaro perder ainda mais popularidade nos próximos meses. As últimas pesquisas de opinião revelam que a aprovação do capitão da reserva está em franca queda e que sua rejeição está em plena ascensão.

“A população ja esta percebendo e vai continuar essa queda de avaliação. Todo governo inicia lá em cima e, se não responder às demandas, vai desabando. E já está desabando. Desabou até mais rápdio que qualquer um de nós esperávamos. Há uma ausência absoluta de qualquer tipo de proposta para o país”, concluiu.

Assista, abaixo, a íntegra da entrevista.

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