10 de maio de 2018, 19h51

#Safermanas: saiba como se proteger de haters e stalkers na internet

Iniciativa traz dicas de segurança digital voltadas para mulheres cis, pessoas trans, travestis e não-binárias

Foto: Lee Haywood/Flickr)

Você sabe como proteger suas senhas e quais aplicativos são os mais seguros em relação à privacidade de seus dados? Estas e outras dicas de segurança fazem parte da campanha Safermanas, criada pela ONG Coding Rights, e lançada durante a última edição da CryptoRave, nos dias 4 e 5 de maio, em São Paulo.

A iniciativa traz informações em formato de gifs, simples de serem compreendidas e compartilhadas. São dicas importantes com o objetivo de “evitar incidentes e diminuir vulnerabilidades de segurança digital comuns a mulheres cis, pessoas trans, travestis e não-binárias”.

A diretora executiva e fundadora da Coding Rights, Joana Varon, explicou à Fórum a proposta das Safermanas. “Temos mapeado vários tipos de ataques usando as tecnologias que têm alvejado mulheres e a maioria deles acontece por meio da utilização mal-intencionada da grande variedade de dados que disponibilizamos online”, destaca. Leia a entrevista a seguir.

Revista Fórum – Como nasceu a ideia da iniciativa Safermanas? E o que seria uma Safermana?

Joana Varon – Na Coding Rights damos oficinas de segurança holística focadas na proteção de dados e contra ataques que acontecem com o uso de tecnologias. Às vezes, também ajudamos manas a sair de situações de perrengue nesse âmbito. Mas fazer oficina é algo bastante pontual e parte do conhecimento transmitido por esse meio é multiplicado apenas de forma bastante gradual.

Por outro lado, também produzimos pesquisas que problematizam a coleta massiva e uso abusivo de dados pessoais, como é o caso do projeto chupadados.com que, por meio de histórias do dia-a-dia, ilustra várias consequências negativas desse modelo de negócios, inclusive para pautas de igualdade de gênero.

Tanto as histórias do chupadados, como muitos outros materiais de segurança digital que têm sido produzidos por coletivos feministas, por exemplo o material coletado pelas ciberseguras, ainda não têm o alcance que poderiam.

Pensamos em utilizar gifs como pílulas de informação para chamar atenção para o tema da segurança digital, apontar jeitos rápidos de mudar algumas práticas e também apontar para toda a diversidade de conteúdo feminista que trata do tema, como, por exemplo, nosso zine sobre Safer Nudes.

Revista Fórum – Quais são as principais armadilhas e perigos no uso das tecnologias?

Joana Varon – Temos mapeado vários tipos de ataques usando as tecnologias que têm alvejado mulheres e a maioria deles acontece por meio da utilização mal-intencionada da grande variedade de dados que disponibilizamos online, por exemplo, o assédio dos chamados stalkers ou ameaças de vazamentos de imagens íntimas. Ou ainda por meio de táticas que visam censurar nossas vozes, por exemplo, por discurso de ódio machista ou mesmo denúncias coordenadas e infundadas, mas que acabam bloqueando nossos posts.

Minimizar a quantidade de dados disponíveis, proteger aqueles que precisam existir e saber gerir nossas identidades nos meios digitais são três pilares básicos capazes de aumentar nossa segurança quando interagimos nos meios digitais e minimizar a vulnerabilidade a esses tipos de ataques. As Safermanas sabem disso! E replicam dicas de práticas simples para implementar essas três táticas no nosso cotidiano com nossas dicas.

Revista Fórum – Por que mulheres cis, pessoas trans, travestis e não-binárias são as mais vulneráveis?

Joana Varon – Mulheres, sejam elas trans ou cis, pessoas de gênero não binário e, se ao debate de gênero adicionarmos também opções de sexualidade, lésbicas, bissexuais e representantxs de todo o arco-íris da diversidade sexual, têm sido alvo de ataques online de maneira bem mais frequente e devastadora do que acontece com os homens cis hétero brancos. Somando-se aí questões de interseccionalidade de gênero, raça e classe, as manas do movimento negro, por exemplo, ou as manas comunicadoras de favela, muitas vezes se veem em situações de risco ainda mais acentuado por vulnerabilidades online.

Isso tem ocorrido com as manas que têm se tornado mais vocais nas redes para denunciar machismos, assédios e racismos ou para reclamar pelo exercício de direitos sexuais e reprodutivos, sejam direitos LGBTQ, direito ao aborto, etc. Mas, também acontece com frequência com as manas que apenas saíram com um crush, digamos assim, meio equivocado…

Revista Fórum – Como as pessoas podem participar da campanha?

Joana Varon – Compartilhando os gifs com as manas, fazendo sugestões de pautas para os próximos gifs e, claro, implementando algumas das nossas dicas.