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16 de abril de 2019, 09h22

Saída do Brasil da Unasul é parte do projeto de submissão total a Washington, diz Celso Amorim

"O grande defeito da Unasul para eles é que não tem Estados Unidos. É um bloco que pensa a América do Sul para os americanos do sul e contraria a Doutrina Monroe", afirma Amorim

Celso Amorim (Arquivo/Ministério das Relações Exteriores)
Anunciada por Jair Bolsonaro (PSL) pelo Twitter nesta terça-feira (16), a saída do Brasil da União de Nações Sul-Americanas, a Unasul, é o símbolo da política de submissão total aos interesses de Washington, em um projeto destrutivo para desintegrar os países da região. A análise é do ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, um dos principais articuladores do bloco econômico constituído em 2008, durante o governo Lula. Leia também: Pelo Twitter, Bolsonaro anuncia saída do Brasil da Unasul Segundo ele, a saída do Brasil decreta o fim da Unasul, um projeto de integração dos países da América do Sul que foi...

Anunciada por Jair Bolsonaro (PSL) pelo Twitter nesta terça-feira (16), a saída do Brasil da União de Nações Sul-Americanas, a Unasul, é o símbolo da política de submissão total aos interesses de Washington, em um projeto destrutivo para desintegrar os países da região. A análise é do ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, um dos principais articuladores do bloco econômico constituído em 2008, durante o governo Lula.

Leia também: Pelo Twitter, Bolsonaro anuncia saída do Brasil da Unasul

Segundo ele, a saída do Brasil decreta o fim da Unasul, um projeto de integração dos países da América do Sul que foi gestado há muito tempo e começou a sair do papel ainda no governo Itamar Franco, com as bases de uma área de livre comércio na região.

Amorim diz que o anúncio feito por Bolsonaro é parte da política externa subserviente e contraproducente levada a cabo pelo ministro de relações exteriores, Ernesto Araújo, que tem como norte o presidente estadunidense Donald Trump e o “governo de fundo dos Estados Unidos”.

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“O grande defeito da Unasul para eles é que não tem Estados Unidos. É um bloco que pensa a América do Sul para os americanos do sul e contraria a Doutrina Monroe”, afirma Amorim.

Diplomata desde 1965, quando graduou-se em primeiro lugar na sua turma no Instituto Rio Branco, Amorim diz que a “vassalagem” promovida na política externa de Bolsonaro em relação aos Estados Unidos não encontra eco nem mesmo nas ações realizadas pelos militares durante a ditadura. “O Brasil é muito grande. Até (Ernesto) Geisel (que presidiu o Brasil entre 1974 e 1979, na Ditadura) e os militares compreenderam isso. É lamentável”, disse.

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