Andrea Caldas

política e educação

06 de fevereiro de 2019, 20h17

São Bernardo e a crença nas instituições

Em novo texto, Andrea Caldas diz: “Enquanto mirarmos nos ritos jurídicos, vamos colher apenas os seus esperados frutos. É hora - mais que hora - de mudar o olhar e fazer novas semeaduras em outros terrenos”

Quando Lula, em meio a uma das maiores expressões de resistência popular, em SBC, resolveu ouvir a voz dos advogados e se entregar à prisão, eu protestei.

Fui duramente criticada e até ofendida, pessoalmente.

Tudo bem.

Isto faz parte do jogo político, da catarse emocional, do turbilhão da conjuntura.

Seguiram-se apelos à ONU em nome do bom comportamento do prisioneiro e da crença nas instituições.

Por semanas, parte da militância acreditou no litígio internacional.

Enquanto isto, guerreiros e guerreiras dos movimentos sociais mantinham a vigília, custeando sua própria vida, em torno do Guantánamo paranaense.

Eu queria estar errada.

Eu queria que a tese do advocacy de esquerda tivesse êxito.

Mas, isto não ocorreu.

As instituições funcionaram como costumam funcionar.

Não é o apelo bem redigido pelo advogado que muda este turno.

(Me desculpe o idealismo de meus colegas do direito acadêmico).

Mas são a conjuntura e a luta de classes que alteram a normalidade – algumas vezes – da Justiça de classe.

Pois bem, enquanto muitos esperavam a indicação de Lula ao Prêmio Nobel, nova condenação judiciária ocorreu.

Veja também:  O perigo bonapartista continua presente

Enquanto mirarmos nos ritos jurídicos, vamos colher apenas os seus esperados frutos.

É hora – mais que hora – de mudar o olhar e fazer novas semeaduras em outros terrenos.

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