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24 de Março de 2013, 21h20

São Paulo: Manifestantes promovem “beijaço” contra Marco Feliciano

Casais heterossexuais e homossexuais protestaram pela saída do deputado do PSC da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara

Casais heterossexuais e homossexuais protestaram pela saída do deputado do PSC da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias  da Câmara

Por Felipe Rousselet

Manifestantes pediram a saída de Feliciano da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara (Foto: Felipe Rousselet / SPressoSP)

No final da tarde deste sábado, 23, manifestantes realizaram mais um ato de repúdio contra a eleição do deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC) para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Os manifestantes se reuniram na Praça dos Ciclistas, na Avenida Paulista, e protagonizaram um “beijaço” contra o deputado.

Feliciano é acusado de ser homofóbico e racista pelos movimentos sociais. Ele já afirmou, através de redes sociais, que o continente africano é “amaldiçoado por Noé” e que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime e à rejeição”. Além disso, Feliciano responde a dois processos no STF (Superior Tribunal Federal): uma acusação de homofobia e uma ação penal por estelionato.

Um dos organizadores do ato, o historiador Augusto Patrini, explicou o intuito da manifestação. “São dois objetivos. O primeiro é fazer uma manifestação para o Feliciano sair da Comissão de Direitos Humanos, e o outro é mostrar que toda forma de amor vale a pena, é legitima, e não tem nada de vergonhoso como ele falou. Ele e outros políticos.”

Cerca de 60 pessoas participaram do “beijaço”. Os manifestantes começaram a se reunir na Praça dos Ciclistas por volta das 17 h e cerca de uma hora e meia depois deram início aos beijos. Parte dos manifestantes seguravam cartazes com frases como “Feliciano não representa nosso amor”, “Sou gay e Feliciano não me representa”, “Meu amor é maior que a sua intolerância”, entre outras.

Casais heterossexuais também participaram do beijaço contra o deputado Marco Feliciano (Foto: Felipe Rousselet / SPressoSP)

Sofia Silveira e o seu namorado, David Araújo Martins, participaram da manifestação por também não se sentirem representados por Feliciano. “É um modo de exercer a cidadania, eu não me sinto representada, acho que as minorias não se sentem representadas. É uma questão de exercer a liberdade. Tenho a liberdade de protestar e por isso estou aqui”, disse Sofia.

Protestos

Desde que o deputado Marco Feliciano assumiu a presidência da CDHM, protestos são realizados contra o polêmico parlamentar. O “beijaço” deste sábado marcou o terceiro fim de semana consecutivo de protestos contra o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos.

No sábado, 9, dez capitais brasileiras tiveram as ruas ocupadas por protestos contra o deputado. Em São Paulo, milhares de ativistas foram da Consolação até a Praça Roosevelt caminhando. A organização do evento e a Polícia Militar divergem sobre a quantidade de pessoas, os primeiros dizem que o total pode ter chegado a 20 mil. Para a PM, o número de manifestantes não passou de 1.200. No sábado seguinte, 16, os manifestantes voltaram a pedir a saída de Feliciano da CDHM em nova passeata entre a Praça dos Ciclistas, na Av.Paulista, e a Praça Roosevelt. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia e Tráfego), mais de mil pessoas participaram do ato.

Além das passeatas que tomaram as ruas de várias cidades, o deputado também enfrenta protestos nas sessões que tenta presidir na CDHM. Na última quinta-feira, 20, Feliciano conseguiu presidir a sessão por apenas 8 minutos .

Diante de tamanha pressão da opinião pública e dos movimentos sociais, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), disse que o impasse em torno da eleição do deputado Marco Feliciano para presidir a CDHM se tornou  “insustentável” e que vai tomar uma decisão até a próxima terça-feira (26).

Em caso de saída de Feliciano da presidência da CDHM, Patrini comentou sobre a expectativa em relação ao novo presidente do órgão. “Espero que ele não misture política com religião, que respeite o Estado laico”, declarou.