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11 de outubro de 2017, 08h19

“Se soubesse que seria o rosto de um comercial racista, teria dito não”, diz modelo da Dove

Nigeriana Lola Ogunyemi afirma que se soubesse que seria retratada como "inferior" não teria aceitado

Em artigo escrito para o The Guardian, a nigeriana Lola Ogunyemi afirma que se soubesse que seria retratada como “inferior” não teria aceitado. 

Da Redação

A modelo Lola Ogunyemi escreveu um artigo para o jornal britânico The Guardian onde fala sobre o comercial da Dove que causou revolta entre internautas, fazendo a empresa retirar o post e pedir desculpas no seu perfil oficial. “Se eu tivesse o menor conhecimento de que eu seria retratada como inferior, ou como ‘antes’ em um antes e depois, eu teria sido a primeira a dizer um ‘não’ enfático”, diz. “Isso é algo que vai contra tudo o que represento.”

De família nigeriana, nascida em Londres e crescida em Atlanta (EUA), Lola afirma que ficou feliz quando foi chamada para filmar o comercial da Dove. “Cresci muito consciente da opinião da sociedade de que as pessoas de pele escura, especialmente as mulheres, ficariam melhores se a pele fosse mais clara”, comenta. “Ter a oportunidade de representar minhas irmãs de pele negra em uma marca de beleza global era como a maneira perfeita para lembrar ao mundo de que estamos aqui, somos lindas e, mais importante, somos valorizadas.”

Lola conta que a filmagem foi uma experiência muito positiva e que ficou surpresa quando a propaganda foi acusada de racista. “Eu lembro de todos nós animados com a ideia de vestir camisetas (cor) ‘nude’ e se tornando a outra.” Ela lamenta, agora, que ao digitar no Google “propaganda racista” sua imagem seja a primeira a aparecer. “Acordei com uma mensagem de um amigo perguntando se a mulher em um post que ele vira era realmente eu. Fui on-line e descobri que eu me tornara a garota-propaganda involuntária para uma propaganda racista”, conta.

Lola diz que ficou impressionada com a polêmica. Afirma concordar com o pedido de desculpas da empresa, mas afirma que a Dove poderia ter defendido mais sua visão criativa e o fato de ter escolhido uma mulher negra para sua campanha. Para ela, a propaganda foi exibida fora do contexto, e a versão completa da TV deixa a mensagem da diversidade mais clara. “Não sou apenas uma vítima silenciosa de uma campanha de beleza equivocada. Sou forte, sou linda e não vou ser apagada.”