02 de dezembro de 2018, 12h36

Sem carro com motorista nem auxílio-moradia, benefícios dos juízes brasileiros não existem na Suécia

"Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral e antiético", diz magistrado sueco

Carro oficial com motorista e benefícios extra-salariais como auxílio-saúde, auxílio-moradia, gratificação natalina, verbas de representação, auxílio-funeral, auxílio pré-escolar para cada filho, abonos de permanência e auxílio-alimentação não fazem parte dos salários dos juízes da instância máxima do Poder Judiciário sueco.

Reportagem da BBC mostra que na Suécia, “o salário dos magistrados da Suprema Corte – que não têm status de ministro – é de 109,5 mil coroas suecas, o que equivale a aproximadamente R$ 46 mil. Uma vez descontados os altos impostos vigentes no país, os vencimentos de cada juiz totalizam um valor líquido de 59 mil coroas suecas, segundo dados do Poder Judiciário sueco – o equivalente a cerca de R$ 25 mil”.

Nas demais instâncias do Judiciário, o salário médio bruto de um juiz na Suécia é de 66 mil coroas suecas, o que equivale a aproximadamente R$ 28 mil. Em valores líquidos, o salário médio dos juízes é de cerca de 41 mil coroas suecas – aproximadamente R$ 17,4 mil. O salário médio no país é de 32,2 mil coroas suecas (cerca de R$ 13 mil), de acordo com as estatísticas da confederação sindical sueca LO (Landsorganisationen).

“Não consigo entender por que um ser humano gostaria de ter tais privilégios. Só vivemos uma vez e, portanto, penso que a vida deve ser vivida com bons padrões éticos. Não posso compreender um ser humano que tenta obter privilégios com o dinheiro público”, diz o juiz sueco Göran Lambertz. “Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral e antiético.”

Nesta semana, o presidente Michel Temer sancionou o sancionou o reajuste de 16,38% nos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e da procuradora-geral da República, o que aumenta a remuneração dos magistrados de R$ 33 mil para R$ 39 mil. O reajuste foi garantido após acordo que condicionou o aumento do salário à revogação do auxílio-moradia de R$ 4,3 mil a juízes de todo o país.

A procuradora-geral Raquel Dodge recorreu da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que revogou o auxílio-moradia de todas as carreiras jurídicas.

Para analistas, o aumento na remuneração no Judiciário causa o chamado efeito cascata, em que outras categorias que ganham o teto vão pedir equiparação de salários.

 


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