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17 de setembro de 2013, 16h36

Sem resposta satisfatória dos EUA, Dilma adia visita oficial a Obama

Presidente criticou ausência de apuração no escândalo de espionagem organizado pela NSA no Brasil

Presidente criticou ausência de apuração no escândalo de espionagem organizado pela NSA no Brasil

Por Opera Mundi

Dilma Roussef e Barack Obama não vão se encontrar em outubro (Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

Sem ter recebido explicações satisfatórias do governo norte-americano, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, decidiu adiar a visita oficial aos Estados Unidos que estava programada para o dia 23 de outubro. O anúncio foi feito através de um comunicado na tarde desta terça-feira (17/09) pelo Palácio do Planalto.

Dilma conversou pessoalmente por telefone na segunda-feira (16) com o presidente dos EUA, Barack Obama, que tentou evitar o adiamento e justificar o escândalo de espionagem organizado pela NSA (sigla em inglês da Agência de Segurança Nacional norte-americana), que interceptou em 2012 conversas da presidente e de seus assessores, informações referentes à Petrobras e ao pré-sal e também o então candidato à Presidência do México, Enrique Peña Nieto, vencedor da eleição.

De acordo com o texto, “tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington – e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação – não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada”.

“Dessa forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada”, acrescentou.

“O governo brasileiro confia em que, uma vez resolvida a questão de maneira adequada, a visita de Estado ocorra no mais breve prazo possível, impulsionando a construção de nossa parceria estratégica e patamares ainda mais altos”, diz ainda a nota.

Apesar de não se reunir com Obama pessoalmente, a presidente irá aos Estados Unidos para participar da abertura da 68º Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na próxima semana. Tradicionalmente, o chefe de Estado brasileiro faz o discurso de abertura do encontro de líderes mundiais. Segundo assessores, o tema da espionagem deverá ser abordado pela presidente, que vai criticar o monitoramento.

As informações sobre a espionagem foram reveladas pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, em duas reportagens para o programa de TV Fantástico, da Rede Globo. Ele recebeu documentos do ex-agente Edward Snowden, ex-técnico da agência norte-americana e atualmente asilado na Rússia, que vazou diversos documentos e os repassou ao jornalista.

Desde a divulgação das denúncias, o governo passou a cogitar o adiamento da visita.  A presidente, que ficou muito irritada com a denúncia, se reuniu na segunda-feira (16) com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, para discutir o retorno dado pelos Estados Unidos aos questionamentos do Brasil sobre as denúncias de espionagem.

Há duas semanas, a presidente já havia mandado cancelar a viagem da equipe preparatória, que cuida de toda a logística da visita e define a agenda. Na semana passada, durante reunião de cúpula do G-20, na Rússia, em São Petersburgo, na Rússia, o presidente Barack Obama se comprometeu com a presidenta Dilma a responder aos questionamentos do governo brasileiro em uma semana, o que não ocorreu.