08 de novembro de 2018, 15h18

Senador tucano diz que aprovação de aumento de salário para ministros do STF é “recado” para Bolsonaro

"Me parece que o presidente eleito e o economista Paulo Guedes talvez não tenham feito tanto carinho como esses políticos querem receber", disse Ricardo Ferraço.

Ricardo Ferraço (Agência Senado)

Em entrevista à Rádio Eldorado, o senador Ricardo Ferraço (PSDB/ES) disse que ao aprovar o aumento de salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – que vai gerar efeito cascata, aumentando as contas públicas -, o Senado mandou um “recado” para o novo governo.

“Me pareceu que o Senado quis mandar um recado para ele (Bolsonaro), algo do tipo: veja com quem está falando”, afirmou o tucano.

Ferraço disse que Bolsonaro está provocando uma mudança na ocupação dos espaços de governo e que pode ter havido certo ressentimento por parte do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que liderou a votação.

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“Me parece que o presidente eleito e o economista Paulo Guedes talvez não tenham feito tanto carinho como esses políticos querem receber. Foi um pouco de ressentimento por não ter recebido os naturais afagos que pudessem de alguma forma massagear sua vaidade. É um absurdo”, disse.

Na manhã da quarta-feira, Bolsonaro havia se manifestado contra a votação. Ele disse que não era o momento para o reajuste e que via com preocupação a iniciativa. “Estamos em uma fase que, ou todo mundo tem, ou ninguém tem. E o Judiciário é o mais bem aquinhoado”, comentou.

O Senado aprovou reajuste de 16,38% no salário dos ministros do STF e dos membros da Procuradoria-Geral da República (PGR). O valor, que é o teto do funcionalismo público, passou de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Os projetos já passaram pela Câmara e esperam sanção do presidente Michel Temer. As consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado estimam que o “efeito cascata” pode chegar a R$ 4,1 bilhões nas contas da União e dos Estados.