23 de novembro de 2018, 15h22

“Sequestro relâmpago”, um filme necessário em tempos de bolsonarismo

O quanto os burgueses que defendem igualdade social conseguem dialogar não-violentamente com a base da pirâmide social?

Foto: Divulgação

Por Nathalí Macedo no DCM

Poderia ser um filme baseado em fatos reais sobre uma jovem burguesa sequestrada em São Paulo, mas o olhar de Tata Amaral transformou “Sequestro Relâmpago” em uma obra repleta de tensões sociais, raciais e de gênero necessárias para o país do ódio de classes, da misoginia institucionalizada e do racismo à brasileira.

Isabel, personagem de Marina Ruy Barbosa, é sequestrada por dois homens – Matheus (Sidney Santiago) e Japonês (Daniel Rocha) –  e coagida a permanecer com eles madrugada adentro até que as agências bancárias abram as portas e Isabel possa fazer o saque do próprio resgate.

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A tensão permanente do espectador vem das aterradoras possibilidades narrativas sutilmente colocadas no filme: a possibilidade de abuso sexual de Isabel; as cenas paralisantes em que o sequestro quase fora descoberto; e as cenas nas quais o espectador tem certeza de que a história real contada no filme terminará em tragédia.

Essa tensão pode levar-nos a supor “Sequestro Relâmpago” como um suspense em torno de um crime: trata-se, na verdade, de uma narrativa política fortíssima, que traz de pano de fundo questionamentos ao mesmo tempo pertinentes e perturbadores: o quanto os burgueses que defendem igualdade social conseguem dialogar não-violentamente com a base da pirâmide social?

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