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07 de Maio de 2018, 16h21

Será que incêndio de prédio em SP foi também mais um não-acontecimento?

Da mesma forma como os recentes atentados em Paris, Berlim, Londres etc., o incêndio seguido de desmoronamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, no Centro de São Paulo e ocupado por movimento de luta à moradia, está cercado de sincronismos, “coincidências significativas”, recorrências, anomalias e evidente oportunismo pelo lucro político e comercial da tragédia

“Para ganhar as ruas é necessário o terror” 

(Joseph Goebbels)

Esse humilde blogueiro não acredita em coincidências. Principalmente em eventos que assumem forte simbolismo político. Nesses casos temos sincronismos, ou “coincidências significativas”.

Desde o incêndio do Reichstag em 1933 na Alemanha, quatro semanas depois de Hitler ser empossado chanceler, eventos trágicos cercados com coincidentes lucros políticos (para os nazis o incêndio caiu como uma luva para incitar o presidente Hindenburg a prender os suspeitos comunistas de sempre) passaram a ser vistos com desconfiança.

Eventos como o ataque japonês à base americana de Pearl Harbor em 1941 (abriu a possibilidade para Roosevelt pegar a sua fatia na torta da guerra) ou o ataque ao arranha-céu WTC em 2001 (deu a plena oportunidade para Bush rearticular toda a política externa dos EUA no século XXI com a “guerra antiterror”), foram a posteriori chamados de false flags, inside jobs ou “não-acontecimentos” (Jean Baudrillard) – sobre esse conceito clique aqui e veja links ao final.

E aqueles que insistem em considerar que todos esses episódios foram “meras coincidências” ou “fatalidades históricas”, chamam todas essas suspeitas de “teorias conspiratórias”.

O incêndio e desabamento de prédio com 24 andares na madrugada de primeiro de maio no Centro de São Paulo começou a revelar nos dias posteriores seus sincronismos, coincidências, recorrências e anomalias. Assim como nos atentados na Europa nos últimos anos que convenientemente criaram mais plots para a narrativa da guerra antiterror da mídia corporativa internacional.

Em meio a todos os sincronismos, anomalias e recorrências que são revelados nos dias subsequentes da tragédia arquitetônica (o edifício Wilton Paes de Almeida era um marco da arquitetura modernista) e humana (o descaso do Estado com o direito à moradia), aos poucos também vem sendo revelado o plot que o episódio veio reforçar.

Um plot já presente na intervenção militar no Rio de Janeiro: passado  o PT e a corrupção como os grandes inimigos internos, agora entra em cena o crime organizado – jornais Folha e O Globo noticiam que a polícia de São Paulo vai investigar se o PCC controla os prédios ocupados na cidade. Enquanto a grande mídia chama as ocupações de “invasões” com viés criminógeno para os movimentos sociais.

Será que o desabamento do prédio, que já foi ocupado pela Polícia Federal, é o incêndio do Reichstag do governo do desinterino Temer?

O incêndio do Reichstag: o sincronismo que levou o nazismo ao poder

Mas vamos começar do início sobre este episódio tão significativo que já repercute no Exterior: depois do incêndio seguido de desmoronamento de um edifício em Teerã, fevereiro do ano passado, junto com esse episódio no Centro de São Paulo, os opositores às teses do AE911Truth (Architets & Engineers for 9/11 Truth, organização com mais de dois mil engenheiros e arquitetos que defendem a tese de uma demolição controlada no atentado ao WTC) veem no episódio brasileiro a refutação das “teorias conspiratórias” dos ataques de 2001.

Mas alguns membros do AE911Truth já encontraram anomalias no desmoronamento do edifício paulistano, recorrentes nos episódios de Nova York e Teerã.

Das “coincidências significativas”

(a) De 365 dias no ano e de 70 prédios ocupados de uma área que se estende do Centro velho até os Jardins (com prédios em situação análogo ou até pior que o do Largo do Passandú) o sinistro atingiu exatamente o edifício Wilton Paes de Almeida na madrugada de primeiro de maio, feriado do Dia do Trabalhador. A ironia é que os ocupantes são trabalhadores sem tetos que viram o dia reservado à sua homenagem dominado por uma catástrofe.

(b) E não foi um prédio qualquer, mas uma joia arquitetônica tombado pelo Patrimônio Histórico. A filha do arquiteto que projetou o prédio, Roger Smekhol, preparava-se para gravar cenas sobre o prédio paulistano no seu filme. Segundo Denise Smekhol, seria uma das dez obras brasileiras que apareceriam no documentário – clique aqui.

(c) O edifício fazia parte do cenário da segunda temporada de 3%, série brasileira da Netflix. O prédio degradado integra o continente brasileiro futuro em que moradores estão imersos na miséria e violência e sofrem de falta de água e alimentos. E submetido a um processo seletivo meritocrático criado pela elite em que somente 3% conseguem escapar do deserto brasileiro. Sugestivo, não? – sobre a série, clique aqui.

Edifício Wilton Paes na série “3%”: o prédio projetava sua própria distopia

(d) A tragédia humana ocorreu num primeiro de maio especial, marcado por mobilizações “Lula Livre” em todo País. A principal e maior, em Curitiba. Local dos cárceres da Polícia Federal.

(e) A Polícia Federal ocupou o prédio paulistano por 33 anos. Lá estiveram diversos prisioneiros ilustres como o escritor ganhador do prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, numa noite em 1981. Detenção tão impactante quanto o incêndio do próprio prédio. E recentemente a visita de Esquivel a Lula no cárcere da PF foi negada pela Justiça.

(f) A tragédia ocorreu exatamente 15 dias depois da ocupação do MTST no famigerado triplex do Guarujá. E imediatamente a grande mídia noticiou que a ocupação do edifício era do MTST (e que ainda cobravam aluguel dos moradores), para posteriores desmentidos. Mas a associação subliminar na memória da distinta audiência já estava feita. Num ano eleitoral em que o líder do MTST, Guilherme Boulos, é um dos presidenciáveis.

Das Recorrências

A principal é que o incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida é a repetição de uma lista interminável de incêndios em favelas e terrenos ocupados na cidade – só em um ano já foram contabilizados 200.

Por exemplo, em um levantamento feito pela Rede Brasil Atual mostrou que fogo em favelas é mais recorrente nas áreas de grandes intervenções voltadas à valorização imobiliária, com construção de parques e avenidas. O mapa criado pela pesquisa demonstrou a estranha “coincidência” em incêndios nas quatro áreas de operações urbanas (instrumento de intervenção política no espaço urbano, previsto no Estatuto da Cidade de 2001): Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada. E mais três que serão iniciadas: Lapa-Brás, Rio Verde-Jacu e Mooca-Vila Carioca – clique aqui.

E os incêndios seguem essas operações urbanas.

Nesse contexto, o anúncio de um empreendimento residencial no Centro lançado recentemente na rua Antônio de Godói seria mais uma “coincidência significativa”: na imagem do folheto de propaganda foi eliminado digitalmente o edifício Wilton Paes de Almeida, “limpando” a vista da região – veja imagem abaixo.

Embora esse recurso seja comum em folhetos de construtoras (lindos e bucólicos cenários para valorizar o empreendimento) o que chama atenção no anúncio é que o empreendimento é tido como “o metro quadrado mais vantajoso do Centro”.

Mais uma recorrência no mapa dos incêndios paulistanos que parecem apontar para uma sinistra estratégia de higienização social.

Das anomalias

(a) Brasileiros têm participado em fóruns de discussões do Reddit (site de mídia social dos EUA) e o Metabunk.org (fórum de discussões dedicado à investigação científica para desmascarar boatos e notícias) apontando anomalias no incidente do Centro de SP. A primeira delas, de que nas mais de duas horas de incêndio, os bombeiros nada fizeram para tentar apagar o fogo. Assistiam ao prédio arder, procurando apenas salvar vítimas. Como se aguardassem a demolição para, depois, fazer o rescaldo – clique aqui.

(b) Engenheiros e especialistas do AE911Truth apontam para ejeções da parede sudoeste do prédio nos segundos anteriores ao desmoronamento como ação de pequenos explosivos (“nanothermites”), além de efeitos piroclásticos como “súbitas acelerações”, “ejeções de poeira” que seriam indícios de uma demolição controlada – clique aqui. Veja imagem abaixo.

Para eles, nenhuma estrutura de aço e concreto pode ser derrubada unicamente pelo fogo. E principalmente pelo desmoronamento vertical. Se houvesse desmoronamento, seria gradual, numa trajetória excêntrica – para frente ou para os lados.

Ou como declarou Jalal Maleki, bombeiro que combatia o incêndio no edifício Plasco, em Teerã: “tudo estava sob controle, então, de repente e inesperadamente, ocorreram duas ou três grandes explosões. E o prédio veio todo abaixo…” – clique aqui.

Quem ganha?

(a) Grande Mídia:

O sinistro do edifício atenuou a tensão da atual política de controle de danos pós prisão de Lula: depois de anos como verdadeiro partido de oposição, açodando grupos de extrema-direita para criar a crise política que culminou com o impeachment e a prisão de Lula, agora às pressa a grande mídia tenta aparentar imparcialidade com o discurso de que “a lei é para todos” e muito conteúdo “politicamente correto” no jornalismo e entretenimento. Chegando até a criar uma “cinderela de esquerda” no reality BBB18 (clique aqui).

Forçosamente a mídia corporativa teria que abrir espaço às manifestações “Lula Livre” nos telejornais no Dia do Trabalho dentro da atual política de controle de danos. A tragédia do incêndio e desmoronamento literalmente serviu de cortina de fumaça (desculpe o trocadilho…) diversionista à inevitável tensão política do dia primeiro de maio.

Enquanto seu jornalismo com o viés de busca de “vítimas e heróis exemplares” (o bombeiro que tentou salvar a vítima que despencou junto com o desmoronamento) para supostamente humanizar a cobertura, no chão os repórteres davam o toque de higiene social: enquanto as câmeras mostravam o drama humano dos sem tetos dormindo ao relento junto com seus poucos pertences, o repórter da Globo preferia destacar o lixo acumulado por eles no Largo do Paissandú.

Numa cobertura digna dos cinejornais de propaganda nazista fazendo a cobertura dos judeus no Gueto de Varsóvia na II Guerra Mundial.

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