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08 de janeiro de 2019, 22h02

“Seria cômico se não fosse trágico”, diz funcionário do Banco do Brasil sobre filho de Mourão

A nomeação do filho do vice-presidente Hamilton Mourão para a assessoria especial da presidência do Banco do Brasil causou revolta entre funcionários e já há até eleitores de Bolsonaro arrependidos; "O clima está péssimo, muitos se aposentam sem conseguir subir sequer um degrau"

Foto: Reprodução
A nomeação de Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, para assessor especial do presidente do Banco do Brasil, causou revolta entre funcionários da estatal. Funcionário de carreira do banco há 18 anos, Rossell Mourão vinha atuando há 11 anos como assessor na área de agronegócio da instituição, ganhando cerca de R$ 12 mil mensais. Com o novo cargo, ele mais que triplicará seu salário, passando a ganhar R$ 36,3 mil por mês. A nova função equivale a um cargo de executivo. À Fórum, o presidente do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, Eduardo Araújo, afirmou que esse tipo...

A nomeação de Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, para assessor especial do presidente do Banco do Brasil, causou revolta entre funcionários da estatal.

Funcionário de carreira do banco há 18 anos, Rossell Mourão vinha atuando há 11 anos como assessor na área de agronegócio da instituição, ganhando cerca de R$ 12 mil mensais. Com o novo cargo, ele mais que triplicará seu salário, passando a ganhar R$ 36,3 mil por mês. A nova função equivale a um cargo de executivo.

À Fórum, o presidente do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, Eduardo Araújo, afirmou que esse tipo de “salto” de cargo não é comum no banco e que recebeu a notícia com estranhamento. De acordo com Araújo, a escolha do cargo de assessor especial deve ter partido do próprio Mourão como uma forma de aumentar o salário do filho sem precisar fazer justificativas de qualificações técnicas, já que a escolha de um nome para qualquer outro cargo de nível executivo precisaria ser justificada ao Banco Central.

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“Ele não tem qualificação para ser nomeado em um cargo que tivesse que ser justificado, e aí tiveram que jogar para a assessoria do presidente, que não precisa justificar junto ao Banco Central. Então, encontraram uma saída meio ortodoxa pra fazer a nomeação, que deve ter sido a pedido do próprio Mourão”, revelou.

De acordo com um funcionário do Banco do Brasil ouvido pela reportagem, o clima interno é está “péssimo”. “Ele pulou muitos degraus. Isso não é uma coisa natural dentro do banco. Existe uma trilha a ser cumprida. Muitos se aposentam sem, inclusive, conseguir subir um degrau sequer. E esse cargo de assessor da presidência não é um cargo simples, demanda um tremendo conhecimento técnico”, afirmou o funcionário, que preferiu não ser identificado por conta de possíveis retaliações.

O funcionário revelou ainda que muitos dos trabalhadores do Banco do Brasil que votaram em Jair Bolsonaro estão “decepcionados”.

“Sabe aquela história? Seria engraçado se não fosse trágico. O pessoal está muito decepcionado. Pessoas que votaram no cara já estão com aquele pensamento de ‘não era o que a gente esperava’. O clima é ruim. Até porque expõe o Banco do Brasil”, pontuou.

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A fonte ouvida pela Fórum informou ainda que já há inúmeras manifestações e questionamentos ao presidente do banco sobre a nomeação do filho de Mourão para o cargo de assessor. Há, para funcionários, um tipo de canal de comunicação interna.

Eduardo Araújo, o presidente do Sindicato dos Bancários, disse que já há, inclusive, até aqueles que estão utilizando o canal para pedir ao presidente que a esposa de Rossel Mourão, nora do vice-presidente, não tenha a mesma “ascensão meteórica” que o marido. Atualmente ela trabalha como caixa do banco.

 

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