18 de junho de 2018, 15h20

Silas Malafaia porta-voz político

"O cidadão Silas Malafaia é porta-voz dele mesmo. Atua na cena política segundo os seus interesses empresariais, segundo as suas simpatias e antipatias ideológicas"

Silas Malafaia. Foto: Tatiana Fortes

PORTA-VOZ, pessoa que fala em nome de alguém ou de um grupo. 1

O Silas Malafaia fala em nome de quem? De Deus? Dos cristãos? Dos evangélicos? Dos membros das Igrejas das Assembleias de Deus? Da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo?

O Silas Malafaia fala, mas quando o faz não é a voz de Deus! Inegável que a pessoa em questão tem voz própria. Suas opiniões geram discursões.

Então, nesta nossa conversa vamos combinar que não estamos tratando de uma entidade, mas sim de um homem sujeito às mesmas contradições, erros, esquisitices, ambições e ambiguidades que eu e você.

Tenho utilizado a linguagem teatral para pensar nos “atores da cena política evangélica”. Sem dúvida, o cidadão Silas Malafaia desempenha um papel importante neste palco. Portanto, podemos avaliar a sua atuação.

  1. O Silas Malafaia é bobo?

Não. Ele é muito esperto. Articulado. Sabe se defender, assim como sabe defender os seus interesses.

  1. O Silas Malafaia é mal-intencionado?

Não me atrevo a falar no plano das intenções de quem quer que seja. Não o conheço pessoalmente, não convivo com ele, daí consigo julgar as suas ações sociais e não o seu caráter. Diz o livro de Provérbios (20.5) que “COMO ÁGUAS PROFUNDAS SÃO OS PROPÓSITOS DO CORAÇÃO DO HOMEM, MAS O HOMEM DE INTELIGÊNCIA SABE DESCOBRI-LOS”.

  1. O Silas Malafaia é uma liderança espiritual?

Sem dúvida nenhuma. Muitas pessoas testemunham que foram abençoadas através da atividade pastoral dele. Desqualificá-lo através da desqualificação do rebanho parece-me um mecanismo tão presunçoso quanto preconceituoso. Não são poucos os pastores que se inspiram nele para desempenhar os seus ministérios.

  1. O Silas Malafaia é um empresário bem-sucedido?

Sem dúvida nenhuma. Eu não sei o quanto, mas sei que ele enriqueceu. Suas empresas são rentáveis, bem organizadas e aparentemente ainda em expansão. Não tenho problemas com o enriquecimento seja do empresário que for, desde que haja lisura e transparência. Na economia de mercado em que vivemos, progredir os negócios não é pecado, mas sim virtude. Não estou colocando a idoneidade do empresário Silas Malafaia em suspeição. Tão somente faço o registro óbvio que este cidadão é um empresário bem-sucedido sob o ponto de vista da expansão dos seus negócios.

  1. O Silas Malafaia é um político?

Sem dúvida nenhuma. Diria mais, um POLÍTICO PROFISSIONAL. Esta categoria de “político profissional” foi cunhada por Max Weber. O sociólogo adverte que se pode viver PARA a política ou DA política. A propósito, diz ele, “Num sentido profundo, todo aquele que vive para uma causa vive dela também”.2 O sentido empregado aqui não é propriamente as noções que remetem às composições partidárias ou ao exercício da representação parlamentar, mas sim a capacidade de chefes políticos exercerem influências. Neste sentido, Malafaia é um político profissional que dispõe de poderes econômicos, empresarias e religiosos capazes de influenciar nos diferentes cenários.

  1. O Silas Malafaia é fascista?

De fato, eu tenho profundas dificuldades em colocar etiquetas nas testas alheias a fim de que caibam as abreviaturas. Mas convenhamos, o cidadão Silas Malafaia sataniza e desqualifica qualquer um que não reza na sua cartilha. Furioso, destila ódio e palavras de baixo calão. Passa por cima dos seus desafetos com uma IRA que está mais para diabólica do que divina.

Odeia petralhas, esquerdopatas e comunistas. Utiliza facilmente essas rubricas para detonar grupos e pessoas. Simplifica tudo e todos com neologismos manjados.

Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT); Igreja Universal do Reino de Deus (IURD); Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB); Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD); Partido dos Trabalhadores (PT); Partido Socialismo e Liberdade (PSol).

Ataca pessoas, assim como ataca as siglas. Tritura com um linguajar depreciativo que beira ao exorcismo.

  1. O Silas Malafaia é cabo eleitoral pago ou voluntário?

Não sei. Sei que ele se apresenta nas disputas eleitorais com desenvoltura dizendo em quem seus seguidores podem ou não votar. Já emprestou seu carisma para FHC, Lula, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Temer, Sérgio Cabral, Pezão, Romero Jucá, Magno Malta, entre outros.

Cabo eleitoral eclético, heterodoxo e heterossexual.

O ungido da hora é o Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ). Não sei se alguém já tentou mensurar o poder do Malafaia para influenciar eleitores. O que sabemos é que ele é desinibido para influenciar o VOTO DO CAJADO.

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Provisoriamente fiquemos com a seguinte conclusão: o cidadão Silas Malafaia é porta-voz dele mesmo. Atua na cena política segundo os seus interesses empresariais, segundo as suas simpatias e antipatias ideológicas. Como cidadão, tem todo direito de agir segundo seus interesses e percepções da vida pública.

No entanto, achar que ele é porta-voz de Deus porque é pastor e fala do púlpito com a Bíblia aberta, aí, meus irmãos, a confusão não está em torno da identidade do Silas Malafaia, mas na sua total ignorância quanto à identidade de Deus revelada em Jesus Cristo!

1 AULETE, Caldas. Minidicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexicon, 2009, p. 633.

2 WEBER, Max. A política como vocação. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2003, p. 22.

 

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