28 de maio de 2018, 14h22

Silvio Santos é acusado de homofobia em programa ao citar Pabllo Vittar

Apresentador usou o termo bicha para se referir à drag queen

Foto: Reprodução/SBT
O apresentador Sílvio Santos foi acusado de homofobia por ativistas LGBTs ao citar a cantora Pabllo Vittar em um dos quadros do programa que comanda aos domingos no SBT. O caso aconteceu no “Jogo dos Pontinhos”. Silvio deu como dicas os nomes de Pabllo, do promoter David Brazil e do apresentador Gominho. O auditório demorou a acertar a resposta. A resposta da charada era o termo “bicha”. Uma das colegas de trabalho tentou acertar a charada com a sigla “lgbt”. Sílvio Santos riu, dizendo não saber do que se tratavam as letras. Depois de muita demora, o apresentador sacou uma...

O apresentador Sílvio Santos foi acusado de homofobia por ativistas LGBTs ao citar a cantora Pabllo Vittar em um dos quadros do programa que comanda aos domingos no SBT. O caso aconteceu no “Jogo dos Pontinhos”. Silvio deu como dicas os nomes de Pabllo, do promoter David Brazil e do apresentador Gominho. O auditório demorou a acertar a resposta. A resposta da charada era o termo “bicha”.

Uma das colegas de trabalho tentou acertar a charada com a sigla “lgbt”. Sílvio Santos riu, dizendo não saber do que se tratavam as letras. Depois de muita demora, o apresentador sacou uma nota de R$100 do bolso do paletó. Foi quando uma moça da plateia matou a resposta sob risos do dono da emissora. “Ela falou bicha, acertou, claro”,disse Sílvio

O ativista Gustavo Valente criticou a forma como Sílvio Santos tratou do tema no quadro do programa. “Foi homofóbico, pois coloca a nossa orientação sexual como se fosse uma piada, de forma jocosa, e isso pode machucar, principalmente, adolescentes que sofrem cotidianamente com isso. Nenhuma característica das pessoas devem ser motivo para piadas”, disse.

Opinião semelhante tem o jornalista e ativista Renan Wilbert. “Normalmente, eu sou a favor de dar o benefício da dúvida, mas o Silvio já recebe esse benefício tem décadas. Tem uma mística de que ele pode fazer e falar o que quiser e nunca ser responsabilizado por nada porque ele é idoso, mas ele é um idoso que tem acesso a informação e a responsabilidade por ser um comunicador”. Para Renan, o termo bicha quando usado por um heterossexual fora de contexto, invariavelmente soa homofóbico.

“Existem coisas que a gente só diz para alguém que seja íntimo nosso. Por exemplo: se você fala algo para seu melhor amigo e é engraçado, a mesma coisa dita por um desconhecido seria uma ofensa. Certos termos sempre foram ofensivos para LGBTs, como o termo que o Silvio usou. Nós, dentro da comunidade, começamos a usar, mas é algo entre nós, das nossas relações internas, porque nós sabemos como é viver a violência e sabemos que, entre nós, estamos seguros. Quando alguém hétero usa um termo, mesmo que não seja com a intenção de ofender, acende uma luz de alerta na nossa cabeça, e isso é muito mais grave quando é dito por alguém com o alcance do Silvio, que fala há anos para o país inteiro”, concluiu.

Integrante do coletivo “Bixas Pretas”, o dançarino e produtor cultural Victor Cantuária ressalta como ponto fundamental o fato de nenhuma das pessoas citadas na “brincadeira” ter autorizado ou sido consultada se aceitavam ser chamados desta forma ou não. “São performances que só quem pode se dizer como tal é o próprio. Acredito que somos aquilo que nós nos identificamos, se tiver pronunciamentos deles se chamando de bicha, incrível. Se não, problemático”, comentou. Victor se assume como bicha e adora a palavra, mas ressalta que o que se aplica para ele, não necessariamente vai se aplicar a outras pessoas.

“Não é um consenso. Se forçarem esse consenso, vai ser equivocado. Gosto de ser bicha, prefiro que me chamem de bicha do que de gay. Homossexual também não me contempla porque já me relacionei com mulheres e posso me relacionar de novo sem nenhum problema ou questão, mas continuarei bicha”.

Veja abaixo o trecho do programa: