12 de julho de 2018, 17h24

Sindicato dos Jornalistas de SP vai apurar conduta de Cláudio Tognolli

Tognolli, que é comentarista da rádio Jovem Pan, divulgou o número de celular do desembargador Rogério Favreto, que mandou soltar Lula, e agora o magistrado vem sendo alvo de ameaças

Foto: Reprodução

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) anunciou, nesta quinta-feira (12), que a Comissão de Ética do órgão irá apurar a conduta do jornalista Cláudio Tognolli. Comentarista da Jovem Pan e professor na Universidade de São Paulo (USP), o jornalista divulgou em seu Twitter, no último domingo (8), o celular do desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Rogério Favreto, que concedeu um habeas corpus ao ex-presidente Lula no mesmo dia.

Tognolli tem uma posição política explicitamente antilulista e antipetista. A divulgação do número do desembargador que concedeu o benefício a Lula, portanto, foi interpretada por outros jornalistas como uma tentativa de incentivar o linchamento. Tanto é que, em entrevista, Favreto declarou que, após a divulgação de seu telefone, passou a ser ameaçado de morte.

Na segunda-feira (9), então, mais de 60 jornalistas criaram uma petição, endereçada ao SJSP e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em que pedem a apuração da conduta de Tognolli, que teria faltado com a ética ao expor informações privadas do desembargador. Confira a íntegra da petição aqui.

De acordo com o SJSP, após o recebimento da petição, foi convocada uma reunião na sede do sindicato em que o presidente da Comissão de Ética, Franklin Valverde, determinou o encaminhamento da apuração.

A Fenaj, por sua vez, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Repúdio do Jornalismo da USP

Logo após ficar sabendo da divulgação indevida do celular de Favreto, o chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Dennis de Oliveira, enviou à Fórum uma nota de repúdio à atitude de Tognolli, que dá aula na instituição.

“Eu, Dennis de Oliveira, chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração, jornalista, não concordo e repudio essa publicação do celular do desembargador na rede social. Acredito que o debate político e jurídico não pode ser feito a partir dessas tentativas de criar linchamento de pessoas. Esse não é o jornalismo que ensinamos na ECA e essa postura não corresponde à visão do curso de jornalismo da USP que temos implementado”, escreveu Dennis.

Após a repercussão negativa, Tognolli apagou a postagem, mas até o momento não se pronunciou sobre o assunto.