07 de novembro de 2018, 17h30

Sobre interferência no Sesc, Danilo Miranda reage: “Temos o amparo da Constituição”

Paulo Guedes diz pretender acabar com patrocínios ao Sistema S que nada tenham a ver com a formação e capacitação de trabalhadores

Foto: Reprodução

Circulou pelas redes na última semana, de maneira errônea, um texto assinado por Danilo Santos de Miranda, diretor do Serviço Social do Comércio (Sesc) no estado de São Paulo. O texto foi escrito há dez anos, mas parece bem atual, sobretudo diante das ameaças que o profuso e amplo trabalho na área cultural que a entidade realiza tem sofrido.

A coluna do jornalista Lauro Jardim, no Globo do último domingo (4), por exemplo, emite sinais claros das intenções do futuro governo com relação a isto.

Com o título de ‘Paulo Guedes vai mexer no Sistema S’, o texto afirma: “o Sistema S como funciona hoje está com os dias contados a partir da posse de Paulo Guedes no Ministério da Fazenda. Não será extinto. Mas Sebrae, Sesc, Sesi, Senai e outros serão profundamente reformulados”, afirma.

Ao final, o jornalista sentencia: “entre as mudanças previstas está o fim de patrocínios que nada tenham a ver com a formação e capacitação de trabalhadores”. Para meio entendedor, a cultura basta.

Para esclarecer o imbróglio, Danilo postou um vídeo, nesta terça-feira (6), em sua conta no Facebook, onde adverte que o comunicado anterior é antigo. Logo a seguir, sobre os fatos recentes, o diretor ressalta que “ainda não há nenhum fato efetivo, documento, proposta ou indicação objetiva de mudanças ou extinção”, apenas “comentários, boatos”.

Mas tranquiliza a todos, lembrando que o SESC tem “o amparo da Constituição para realizar esse trabalho de maneira tranquila, usando os recursos provenientes da contribuição de todas as empresas, no nosso caso das empresas do comércio, de serviços, de turismo etc.”

Ao final, no entanto, diz: “o nosso trabalho continuará”, mas, como uma ponta de alerta, avisa: “qualquer coisa que eventualmente aconteça, todos saberão efetivamente”.

Veja abaixo o vídeo publicado por Danilo Miranda e a sua transcrição logo a seguir:

Estou fazendo essa comunicação hoje, dia 6 de novembro de 2018, com a intenção de tentar esclarecer o que está acontecendo com relação a uma carta que tem sido divulgada e também uma petição que está sendo mostrada e promulgada por todos os lados.

Primeiro, com relação à carta, pouco mais de 10 anos atrás, nós aqui no Sesc, recebemos a notícia de que, naquela ocasião, o governo federal pretendia retirar uma parte dos recursos da Instituição em nível nacional e de todas as demais entidades do chamado Sistema S para promover a educação profissional e educação técnica. Nós, na época, já sabendo da importância da educação técnica e da capacitação profissional fizemos essa comunicação a todos pela referida carta, a qual foi dirigida ao público em geral falando da importância da capacitação técnica, mas dizendo que as instituições, os “S”, já dispunham de uma estrutura para realizá-la, portanto não cabia naquela altura retirar recursos de uma parte do sistema para fazer o que já se fazia.

Isso, naturalmente foi objeto de uma discussão, de um debate e junto havia também um programa de gratuidade que depois acabou sendo desenvolvido e ampliado, e todas as demais entidades do Sistema, acabaram sendo levadas a realizar tal operação. Todos temos o compromisso de gratuidade e a partir daquele momento isso foi implantado em todo o país.

Mais recentemente, na atual circunstância que nós atravessamos, há comentários, boatos, informações e algumas pessoas que têm falado a respeito de alterações no Sistema, novamente, alegando o descumprimento de finalidade, mas ainda não há nenhum fato efetivo, documento, proposta ou indicação objetiva de mudanças ou extinção.

Temos recebido muitas informações e pedidos de esclarecimentos, pois muitos estão preocupados com a manutenção de nossa atuação, especialmente em alguns campos específicos, como o de ação cultural que nós realizamos em São Paulo e no Brasil inteiro e que de alguma forma parece estar ameaçado, tendo em vista alguns comentários de que essas ações não serão mais realizadas e que nós fazemos uma espécie de patrocínio, coisa que nunca aconteceu no nosso trabalho. O que eu gostaria de frisar sobre isso é que, é fundamental manter a essência do que fazemos, pois nossa atuação tem caráter sócio-cultural voltado para vários campos, onde a cultura tem um papel importante, mas também, a atividade física, o esporte, a recreação, o lazer, as questões ligadas à alimentação, a saúde de forma geral, o atendimento ao idoso, à criança e ao adolescente pelo país afora e no Sesc São Paulo em particular, são aspectos essenciais do dia a dia e do bem-estar, os quais realizamos, cumprindo a missão da Instituição.

Tudo isso é fundamental, portanto tem que ser mantido e preservado. Temos, inclusive, o amparo da Constituição para realizar esse trabalho de maneira tranquila, usando os recursos provenientes da contribuição de todas as empresas, no nosso caso das empresas do comércio, de serviços, de turismo etc.

Por fim, gostaria de tranquilizar as pessoas de que o nosso trabalho continuará e, qualquer coisa que eventualmente aconteça, todos saberão efetivamente.

A manutenção da Instituição é algo que para nós é essencial, como também dar tranquilidade para os mais de 7.600 funcionários do Sesc São Paulo e, muito mais de 32.000 no país inteiro, só no Sesc, sem falar nos milhares de outros que estão nas demais Instituições do chamado Sistema S.

Ressalto que vamos continuar com esforço para cumprir o nosso objetivo e nossa missão diariamente.