30 de outubro de 2018, 11h53

Steve Bannon chama Bolsonaro de “líder populista nacionalista” e diz que trará “O Movimento” ao Brasil

Discreto e dizendo ser apenas um "apoiador" de Bolsonaro (PSL) durante a campanha, o guru ultra-liberal, ex-estrategista de Donal Trump na Casa Branca, mostrou que está muito bem informado sobre o Brasil e quais seus planos junto ao governo do "capitão".

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Discreto e dizendo ser apenas um “apoiador” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha, o guru ultra-liberal Steve Bannon, ex-estrategista de Donal Trump na Casa Branca, mostrou que está muito bem informado sobre o Brasil e quais seus planos junto ao governo do “capitão”, a quem chama de “líder populista nacionalista”, em entrevista à jornalista Patrícia Campos Mello – que revelou o escândalo do #caixa2doBolsonaro -, na Folha de São Paulo, nesta terça-feira (30). “Estou muito focado em transformar O Movimento em algo global, e Bolsonaro é parte disso. Passei muito tempo estudando o Brasil e acompanho de...

Discreto e dizendo ser apenas um “apoiador” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha, o guru ultra-liberal Steve Bannon, ex-estrategista de Donal Trump na Casa Branca, mostrou que está muito bem informado sobre o Brasil e quais seus planos junto ao governo do “capitão”, a quem chama de “líder populista nacionalista”, em entrevista à jornalista Patrícia Campos Mello – que revelou o escândalo do #caixa2doBolsonaro -, na Folha de São Paulo, nesta terça-feira (30).

“Estou muito focado em transformar O Movimento em algo global, e Bolsonaro é parte disso. Passei muito tempo estudando o Brasil e acompanho de perto a política”, afirmou o guru, que está montando n’O Movimento uma aliança internacional de líderes políticos da ultra-direita liberal, com Donald Trump (EUA), Matteo Salvini (Itália), Viktor Orban (Hungria), Nigel Farage (Reino Unido), Recep Erdogan (Turquia), Rodrigo Duterte (Filipinas), entre outros.

Encontro com Eduardo
Na entrevista, Bannon – que virá “com frequência” ao Brasil a partir de janeiro – diz ter ficado “muito bem impressionado” com Eduardo Bolsonaro (PSL/RJ) no encontro que teve com o filho do capitão em agosto em Nova York, e com quem afirma ter mantido contato “informalmente” durante a campanha.

“Eles estão muito sintonizados com o populismo e nacionalismo, compartilhamos a mesma visão de mundo”, afirmou, antes de ressaltar que se não fosse as redes sociais, os “populistas nacionalistas” não teriam chegado ao poder.

“Se não fosse pelo Facebook, Twitter e outras mídias sociais, teria sido cem vezes mais difícil para esse populismo ascender, porque não conseguiríamos ultrapassar a barreira do aparato da mídia. Trump conseguiu fazer isso, Salvini e Bolsonaro também”, diz Bannon, que por meio de fake news distribuídas pelo site BreitBart News inflamou a extrema-direita estadunidense, que resultou em atos violentos de grupos neonazistas como o ocorrido em Charlottesville em agosto de 2017.

Ódio e intolerância
Sobre o discurso de ódio e intolerância em declarações de Bolsonaro, Bannon admitiu que isso é parte da estratégia política, da mesma forma como é usado por Trump.

“Isso (comentários ofensivos em relação a gays, negros e mulheres) é apenas linguagem provocativa. Bolsonaro usa declarações provocativas para conseguir ser ouvido em meio ao barulho, do mesmo jeito que Trump. Em junho de 2016, Trump estava em sétimo lugar nas pesquisas de opinião. Depois do discurso provocativo que fez, as pessoas o ouviram e ele disparou. O mesmo acontece com Bolsonaro. Ambos são especialistas em se conectar com as massas”, disse ele, para quem “hoje, a política é, na realidade, uma narrativa midiática”.

Leia a entrevista na íntegra.