04 de novembro de 2018, 17h19

STF intima Eduardo Bolsonaro a responder denúncia de ameaças à jornalista

"Tinha que ter apanhado mais pra aprender a ficar calada. Mais uma palavra e eu acabo com você”, teria dito o deputado reeleito, segundo a denúncia enviada pela procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge

O Supremo Tribunal Federal (STF) intimou o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) a prestar esclarecimentos sobre uma denúncia de ameaças feitas à jornalista Patricia Lélis, com quem teve um relacionamento. Um oficial de justiça tentava intimar o filho do novo presidente da República desde o dia 26 de setembro. A notificação foi assinada por Eduardo na terça-feira (30) e ele terá 15 dias – até 14 de novembro – para responder.

A procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, denunciou Eduardo Bolsonaro ao STF em abril, após Patrícia enviar um vídeo com as ameaças filmadas do aplicativo Telegram. Na conversa, o deputado diz à jornalista: “Sua otária! Quem você pensa que é? Tá se achando demais. Se você falar mais alguma coisa eu acabo com sua vida”. Ela pergunta se é uma ameaça e o parlamentar responde: “Entenda como quiser. Depois reclama que apanhou. Você merece mesmo. Abusada. Tinha que ter apanhado mais pra aprender a ficar calada. Mais uma palavra e eu acabo com você”.

Raquel Dodge concluiu ser clara a intenção do acusado de impedir a livre manifestação da vítima, e para isso a ameaçou. O crime apontado pela procuradora-geral foi o de ameaça por palavra ou gesto, que prevê prisão de um a seis meses – considerado um crime de menor potencial ofensivo.