11 de outubro de 2018, 15h59

Suástica, xingamentos e “viva Bolsonaro”: Professora de SP é alvo de ataques racistas de alunos

Alunos de uma escola pública da zona norte de São Paulo picharam na porta da sala de aula uma suástica com a inscrição "preta galinha"; a mensagem era direcionada a uma professora negra de sociologia, que dias antes tinha ouvido dos alunos gritos de apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL)

Porta da sala de aula com as ofensas contra a professora (Reprodução/Facebook)

Uma professora negra de sociologia foi alvo de ataques racistas promovidos por alunos de uma escola pública da zona norte de São Paulo na semana passada. Odara Dèlé, que dá aulas de sociologia para estudantes do ensino médio da escola estadual Rui Barbosa Conselheiro, no Tremembé, foi xingada de “preta galinha do caral***”.

O xingamento foi escrito na porta da sala da aula no último dia 2. Ao lado da frase, os alunos picharam ainda uma suástica, um dos símbolos mais populares do nazismo. Foi a própria professora quem fez os registros da porta pichada e divulgou nas redes sociais. Odara revelou que, dias antes de constatar as ofensas, quatro alunos gritavam “Viva o Bolsonaro” na sala de aula.

“Uma professora negra. 36 alunos sendo 2 alunos negros. 4 alunos brancos gritam no fundo da sala VIVA O BOLSONARO! Depois de uma semana, uma pichação na porta da sala direcionada a professora. Paira as reflexões: Qual escola você quer para seu filho ou filha? As agressões foram para a professora ou sobre o que ela representa? O discurso do ódio pertence a quem?”, escreveu Odara em uma postagem no Facebook com a foto das agressões.

Odara registrou um boletim de ocorrência por injúria racial na Delegacia de Crimes Raciais. Três adolescentes teriam participado da elaboração da mensagem racista.

De acordo com o portal G1, a escola convocou os pais dos alunos para uma reunião.  Já a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo divulgou uma nota oficial em que “repudia todo e qualquer ato de preconceito e discriminação”.