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21 de junho de 2012, 18h42

Tecnologias sociais em resposta às questões da Rio+20

Fundação Banco do Brasil debate como essas tecnologias podem ser soluções rumo ao desenvolvimento sustentável

Fundação Banco do Brasil debate como essas tecnologias podem ser soluções rumo ao desenvolvimento sustentável

Por Adriana Delorenzo 

Entre as principais questões que cercam o debate sobre desenvolvimento sustentável estão como crescer economicamente, distribuir renda, gerar empregos e preservar o meio ambiente. “As tecnologias sociais respondem muito mais às questões da Rio+20 do que as convencionais”, afirma Jorge Streit, presidente da Fundação Banco do Brasil.

Em evento sobre o tema na Cúpula dos Povos, a FBB apresentou um documento com dez pontos para uma plataforma de tecnologia social na Rio+20. “Não queremos dizer que existe uma ou outra, mas as TS são um instrumento muito forte para o combate à pobreza”, diz Streit. A fundação vem investindo na disseminação dessas tecnologias. Ele explica que essas soluções são capazes de resolver problemas de saneamento básico nas regiões urbanas e rurais, gerar emprego e renda. Uma das tecnologias sociais mais reaplicadas no Brasil é a cisterna de placa. A FBB junto com a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) firmou um convênio para a construção de 60 mil unidades.

Na opinião de Procópio de Lucena, diretor da ASA, a escolha pela cisterna de placa é uma decisão política e demonstra a opção por um projeto de país. Para ele, a Cúpula dos Povos e a Rio+20 demonstram que estão em jogo dois tipos de desenvolvimento. O primeiro é aquele que valoriza a solidariedade, a agricultura familiar, a agroecologia, a cooperação, as tecnologias sociais, “que pensa o ser humano”. Já o outro, segundo Lucena, é baseado no consumo, no agronegócio, nas grandes obras e no lucro. “Vivemos uma disputa, no Brasil, entre esses dois projetos”, acredita.

Para Maria Mônica da Silva, do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR), a tecnologia social é aquela que “investe no ser humano”.

Para o consultor Milton Nogueira, é preciso acabar com a falsa ideia, muitas vezes reforçada pela mídia, de que a tecnologia social “é coisa de pobre”. Segundo ele, os vinhos de Bordeaux na França, por exemplo, são produzidos por cooperativas.

Streit reforça que é preciso que “as pessoas entendam como foi produzido o que elas consomem”.

“As tecnologias sociais precisam ganhar escala”, defende o assessor da presidência do BNDES Francisco de Oliveira. “Não pode ser sempre a tecnologia pequena e alternativa”, diz. De acordo com o representante do BNDES, as parcerias e ações das instituições para financiar as TS buscam apoiar as organizações sociais para que elas possam produzir e gerar renda.

Na Cúpula dos Povos, a FBB e o BNDES assinaram um acordo de cooperação para investir 100 milhões de investimentos sociais na Amazônia, para projetos de atividades produtivas e sustentáveis na região.

Segundo o gerente de Educação e Tecnologia Inclusiva da Fundação Banco do Brasil, Claiton Mello, é preciso debater como as TS podem se tornar políticas públicas. Entre as ações nesse sentido, estão articulações com universidades para que pesquisem as TS, a institucionalização de uma Política Nacional de TS, com a realização de conferências sobre o tema, entre outras.