14 de setembro de 2018, 15h29

Toffoli afasta promotor que investigava Aécio e o aeroporto de Cláudio

Eduardo Nepomuceno tinha reaberto o inquérito que apura irregularidades na construção do aeroporto na cidade de Cláudio pelo então governador Aécio Neves

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Por Joaquim de Carvalho, do DCM

O ministro Dias Toffoli, um dia antes de assumir a presidência do STF, afastou o promotor Eduardo Nepomuceno da Promotoria do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais. Nepomuceno tinha reaberto o inquérito que apura irregularidades na construção do aeroporto na cidade de Cláudio pelo então governador Aécio Neves.

O aeroporto, que custou R$ 14 milhões (valores de 2014) fica em uma antiga propriedade da família de Aécio na cidade, e o acesso a ele era controlado pelo tio do ex-governador. Em 2014, com a revelação de que a pista estaria servindo a interesses particulares, Aécio apresentou dois pareceres, um de Carlos Veloso e outro de Carlos Ayres Britto, ambos ex-ministros do STF, para atestar a regularidade da obra. O prefeito da cidade também contestou a Folha de S. Paulo, que revelou a obra na fazenda do tio de Aécio, e disse que a chave do aeroporto ficava em seu poder, e era a prefeitura que fazia o controle de acesso.

Em 2014, eu estive em Cláudio e constatei que o aeroporto tinha pouco movimento — Aécio tinha pousado lá algumas vezes, e uma ou outra aeronave, com espaço de tempo que às vezes durava meses, também o utilizava. Irregularmente, diga-se, já que o aeroporto não tinha sido homologado pela ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil. Alguns meses depois, o Ministério Público na cidade arquivou a ação, com base nos pareceres e na comunicação da prefeitura. Em abril do ano passado, surgiu um fato novo — fatos novos justificam a reabertura de inquéritos. E o promotor Eduardo Nepomuceno decidiu retomar o caso. Uma decisão absolutamente correta, tendo em vista a gravidade do fato novo.

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