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30 de outubro de 2017, 10h16

Tombamento pode impedir que Doria entregue o Anhembi para a iniciativa privada

Diante da impossibilidade de fazer alterações radicais no espaço, as empresas devem ter dificuldades em desenvolver seus negócios e podem oferecer valores em patamares mais baixos na licitação do que era esperado

Diante da impossibilidade de fazer alterações radicais no espaço, as empresas devem ter dificuldades em desenvolver seus negócios e podem oferecer valores em patamares mais baixos na licitação do que era esperado

Da Redação*

O tombamento do Anhembi, atualmente tramitando no Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico), pode jogar água nas pretensões de Doria de entregar o local para a iniciativa privada. Algumas medidas podem impedir que atuais estruturas do complexo sejam alteradas sem autorização do órgão, o que a prefeitura teme que gere desvalorização do complexo para interessados.

Diante da impossibilidade de fazer alterações radicais no espaço, as empresas devem ter dificuldades em desenvolver seus negócios e podem oferecer valores em patamares mais baixos na licitação do que era esperado.

Em outubro de 2016, em artigo publicado na Folha, Doria disse esperar R$ 7 bilhões das vendas do Anhembi e do autódromo de Interlagos.

Quase toda a área de 400 mil metros quadrados do Anhembi é objeto do processo de tombamento: o pavilhão de exposições, o Palácio de Convenções, a sede da SPTuris (empresa de turismo e eventos da cidade), um jardim projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx e a área do estacionamento.

O sambódromo é a exceção e não será contemplado pelo processo de tombamento.

“A área entrou em processo de tombamento por conta da possível relevância para a arquitetura moderna (…) É importante no sentido em que mostra uma característica moderna que é a experimentação. Por exemplo, todo o processo de elaboração envolveu pesquisa de materiais para a estrutura metálica do pavilhão. Isso vale também para o ‘pudim’ [auditório Celso Furtado], no Palácio de Convenções”, explica Mariana Rolim, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico da prefeitura, membro do Conpresp e relatora do processo de tombamento.

Para Cyro Laurenza, presidente do Conpresp, o tombamento deve ser pontual. “O pavilhão, apesar das boas lembranças, tornou-se algo indesejado. Quando chove fora, também chove dentro, o teto está furado. Já está tombando, a despeito do saudosismo”, analisa.

“Tem engenheiros que dizem que modernizar não é mais uma opção financeiramente interessante para o pavilhão. Outros apresentam soluções diversas (…) É complicado pensar em adaptações pela dificuldade na instalação do ar-condicionado, por exemplo”, afirma Rolim.

“Há construções que valeria a pena tombar, como o Palácio de Convenções, o auditório Elis Regina, o jardim. Sobre o pavilhão, não vejo valor arquitetônico em si, e ele tem problemas estruturais. É muito grande e poderia ter melhor uso”, afirma Gabriel Rostey, especialista em política urbana.

O processo de tombamento tem prazo limite de definição em março. Caso se arraste até lá, pode empurrar para o meio do ano a transferência do espaço para a iniciativa privada, que o prefeito gostaria de ver já concluída no início do próximo ano.

DESESTATIZAÇÃO

Por ser alvo de privatização, e não de concessão, o Anhembi seria um dos itens do pacote de desestatizações de Doria que poderia ter impacto imediato, tanto em termos de retorno financeiro para a prefeitura como na execução de reforma do local pelo possível interessado.

Em audiência pública em setembro, Wilson Poit, secretário de Desestatização e Parcerias, disse que o Executivo aguardará a decisão do órgão.

“Só faremos a privatização após termos a decisão final do Conpresp, que está em andamento e tem data para terminar”, disse. À Folha, afirmou que vai esperar o Conpresp para se pronunciar.

O programa de privatizações é peça central da agenda de Doria, que trava disputa interna no PSDB com o governador Geraldo Alckmin pela escolha do candidato do partido nas eleições à Presidência no ano que vem.

Para ser candidato em 2018, o prefeito terá de deixar o cargo até o início de abril.

O Conpresp é composto por nove titulares, cada um representando uma entidade específica, como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Secretaria de Cultura.

*Com informações da Folha

Foto: Anhembi