10 de novembro de 2018, 15h45

Toquinho se diz confiante em Bolsonaro e Moro: “segurança total de não corrupção”

O cantor foi parceiro de Vinícius de Moraes e Chico Buarque, ambos de esquerda e perseguidos pela ditadura

Foto: Divulgação

O cantor e compositor Toquinho se mostrou confiante em relação ao governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, em entrevista ao UOL.

O compositor disse esperar do novo governo um freio à antiga “classe política que monopoliza tudo” no país e que, segundo ele, agora está “assustada” devido ao aumento da rigidez “das leis contra a corrupção”.

“O Brasil tinha que passar por tudo que está passando. Para limpar alguma coisa, é preciso sujar as mãos. Basta não roubar o que roubaram, trilhões, e que haja um pouco mais de dignidade nessa política. Acredito que agora o Brasil está nas mãos de pessoas que são incorruptíveis. Não vejo o juiz Sergio Moro como corrupto, nem Jair Bolsonaro. Isso é segurança total de não corrupção”, analisou.

Amigo de Vinícius e Chico Buarque

Toquinho foi um dos parceiros mais frequentes de Vinícius de Moraes, com quem compôs inúmeras canções e gravou diversos álbuns. Foi também amigo e parceiro de Chico Buarque, com quem morou junto em Roma, na década de 60, durante o exílio.

Tanto Vinícius quanto Chico sempre foram reconhecidos por posições de esquerda. Ambos foram perseguidos pela ditadura. Vinícius, que era diplomata, foi exonerado do cargo. De acordo com texto de Marcelo Bortoloti, a expulsão de Vinicius de Moraes do Itamaraty é um episódio que sempre se prestou a especulações e lendas. Pelo menos duas versões podem ser contadas sobre o caso. Na mais folclórica e difundida, o poeta teria sido exonerado através de um memorando em que o presidente Arthur da Costa e Silva o chamava de vagabundo. No livro Chega de saudade, Ruy Castro conta que em fins de 1968 Vinicius recebeu o comunicado mergulhado em sua banheira e caiu em prantos, pois adorava o Itamaraty.

Uma segunda versão, baseada em documentos da ditadura, assegura que ele foi vítima da Comissão de Investigação Sumária, que em 1969 expurgou diplomatas de carreira sob acusação de serem boêmios ou homossexuais. Foi publicada em reportagem do jornal O Globo e também no livro Vinicius de Moraes, produzido pelo Instituto Cultural Cravo Albin. Nesta versão, o algoz do poeta seria o embaixador Antonio Cândido da Câmara Canto, que presidiu a tal comissão inquisidora, e o motivo alegado foi alcoolismo.