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19 de outubro de 2018, 19h06

Torcedores de times do Rio lançam manifesto contra o fascismo e em defesa da democracia

A ascensão do discurso de ódio fomentado por um candidato ao cargo de Presidente da República e o alarmante número de homens e mulheres que apoiam e propagam suas ideias ensejaram que nos mobilizássemos para a criação deste documento

Foto: Divulgação Representantes de várias torcidas organizadas de clubes de futebol do Rio de Janeiro, divulgaram um manifesto em defesa da democracia. Acompanhem a íntegra do texto: Manifesto de torcidas e torcedores/as em defesa da democracia Nós, torcedores e torcedoras cariocas, ligados às torcidas organizadas e coletivos de torcedores/as que representam os clubes do Estado do Rio de Janeiro ou simplesmente apaixonados/as pelo futebol e unidos/as por um ideal comum: a manutenção do Estado democrático de Direito, isto é, a defesa dos direitos humanos, a garantia de que os governantes respeitem a vontade popular, a proteção jurídica a todos/as os/as...

Foto: Divulgação

Representantes de várias torcidas organizadas de clubes de futebol do Rio de Janeiro, divulgaram um manifesto em defesa da democracia. Acompanhem a íntegra do texto:

Manifesto de torcidas e torcedores/as em defesa da democracia

Nós, torcedores e torcedoras cariocas, ligados às torcidas organizadas e coletivos de torcedores/as que representam os clubes do Estado do Rio de Janeiro ou simplesmente apaixonados/as pelo futebol e unidos/as por um ideal comum: a manutenção do Estado democrático de Direito, isto é, a defesa dos direitos humanos, a garantia de que os governantes respeitem a vontade popular, a proteção jurídica a todos/as os/as cidadãos/ãs com base na Constituição, apresentamos este manifesto contra a candidatura que representa iminente ameaça a estes valores e à cultura do futebol.

Acreditamos que representamos aqueles/as que fazem da arquibancada um espaço democrático e uma celebração da alegria, que não se curvam e nem se curvarão à elitização do futebol (ingressos caros, jogos em horário incompatível com a realidade dos trabalhadores/as, entre outras ações com este fim), tampouco ao machismo e assédio contra a mulheres, nem à criminalização das torcidas e movimentos populares.

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É preciso refutar com firmeza a mentira de que futebol e política não se misturam. Essa ideia é usada por aqueles que tentam, a todo custo, apagar a memória viva da população brasileira. Não nos esqueçamos jamais que da arquibancada lutamos e resistimos nos tempos mais difíceis da história desse país. Nossas torcidas organizadas, genuínas representantes da paixão de torcer surgiram, em grande parte, no auge da ditadura militar iniciada em 1964. Infelizes são aqueles que colocam sob sombras a importante relação entre futebol, torcedor/a e política. Desejamos, por meio deste movimento, contribuir para o resgate da origem popular, progressista e de resistência que caracteriza essas torcidas!

Por isso, ressaltamos que a ascensão do discurso de ódio fomentado por um candidato ao cargo de Presidente da República, aliada ao alarmante número de homens e mulheres que apoiam e propagam suas ideias, ensejou que nos mobilizássemos para a criação deste documento. Ocupando o lugar de torcedores/as, minoria em muitas vezes marginalizada e desvalorizada, temos a obrigação de resistir a qualquer postura autoritária que fere nossa existência, seja nos estádios, seja no dia a dia. Afinal, as minorias não precisam escolher entre se curvar ou desaparecer. Elas podem, unidas, lutar contra a opressão e manterem-se vivas!

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Partimos da premissa que, enquanto classe, devemos defender e lutar por nossos direitos, os quais são levados ao esquecimento com frequência. Devemos preservar traços fundamentais da nossa cultura, aquela fundada sobre cimento, a cultura de arquibancada. Devemos, deste modo, dizer NÃO a qualquer postura ou discurso que coloque em risco a diversidade, as nossas formas de expressão nos estádios (com bandeiras, faixas, bateria, cantos, hinos etc), a participação de crianças torcedoras nos estádios pela falta de infraestrutura e uma sociedade culturalmente rica.

Ademais, ser omisso diante de propostas que atacam impiedosamente direitos e garantias das minorias, da massa trabalhadora assalariada e inclusive de nós, torcedores/as, é compactuar com o massacre cultural que está por vir. Afinal, será consumada a intenção de enterrar a paixão de torcer junto às memórias e cinzas de um passado de ouro, de luta popular. Passado esse que poderá ser apagado, junto à derrubada da nossa democracia, tão recente, simbólica e, ao mesmo tempo, frágil em tempos de crise, quando o discurso de cunho fascista, baseado na crença da superioridade de um ser humano sobre o outro, no ódio ao diferente e submissão do povo a um líder autoritário que ganha força.

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Convidamos, a partir desse manifesto, que todos os torcedores e torcedoras que valorizam a cultura pela qual se unem, que sabem quão preciosa e importante é a democracia para construção de um Estado igualitário, estável e soberano, sejam, daqui em diante, pilares na luta pela preservação do Estado democrático, construído por tanta luta, suor e sangue. É preciso resistir ao fascismo e lutar em favor da democracia. Por isso, repudiamos a candidatura de Jair Bolsonaro e apoiamos a chapa Fernando Haddad e Manuela D’Ávila à Presidência da República.

Paz entre nós, resistência ao fascismo!

Assinam este Manifesto:

ANARCOMUNAMÉRICA

ANATORG

COLETIVO CHICO GUANABARA

COLETIVO POPULAR ALVINEGRO

COMUNA RUBRO NEGRA

ESQUERDA RUBRO NEGRA

ESQUERDA VASCAÍNA

FLAMENGO ANTIFASCISTA

FLUMINENSE ANTIFASCISTA

FLUMUNISTAS

FRENTE INTERNACIONALISTA DOS SEM TETO

INSTITUTO HENFIL

MENGÃO FORO ANTI-GOLPISTA

MULHERES DE ARQUIBANCADA

RESISTÊNCIA RUBRO NEGRA

TORCEDORES PELA DEMOCRACIA

TRICOLORES DE ESQUERDA

VASCAÍNAS CONTRA O ASSÉDIO

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