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30 de janeiro de 2019, 08h02

Tragédia em Brumadinho pode ser a pior do mundo; Vale torna Brasil líder em catástrofes em relatório da ONU

"A tragédia em Brumadinho estará, certamente, no topo dos maiores desastres com rompimento de barragem de minério do mundo. Infelizmente, é possível que ultrapasse Stava, que foi a maior tragédia do tipo nos últimos 34 anos", afirmou à BBC o geólogo Alex Cardoso Bastos, um dos autores do relatório da ONU.

Rompimento matou 165 pessoas (Reprodução)
As 84 mortes já confirmadas e os 276 desaparecidos em meio à lama tóxica da Vale pode fazer com que o rompimento da barragem em Brumadinho seja a pior tragédia humana provocada por rompimento de barragens de minério das últimas três décadas, segundo reportagem de Nathalia Passarinho, na BBC, citando relatório da Organização das Nações Unidas. Somada ao rompimento de uma barragem da Herculano Mineração, em Itabirito (MG), em 2014, com três mortes; e ao vazamento na barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015, com 19 mortes; Brumadinho faz com que o Brasil tenha a triste estimativa de 3...

As 84 mortes já confirmadas e os 276 desaparecidos em meio à lama tóxica da Vale pode fazer com que o rompimento da barragem em Brumadinho seja a pior tragédia humana provocada por rompimento de barragens de minério das últimas três décadas, segundo reportagem de Nathalia Passarinho, na BBC, citando relatório da Organização das Nações Unidas.

Somada ao rompimento de uma barragem da Herculano Mineração, em Itabirito (MG), em 2014, com três mortes; e ao vazamento na barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015, com 19 mortes; Brumadinho faz com que o Brasil tenha a triste estimativa de 3 catástrofes entre as 8 piores dos últimos 30 anos no relatório da ONU. Privatizada durante o governo FHC, a Vale é a responsável pelas duas maiores tragédias.

Segundo o relatório da ONU, publicado no ano passado, o evento mais trágico envolvendo barragens de minério nos últimos 34 anos foi em 1985, no norte da Itália. Na hora do almoço, 180 mil metros cúbicos de lama da barragem administrada pela Prealpi Mineraria varreram as cidades de Stava e Tesero, matando 267 pessoas, entre as quais famílias inteiras.

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Em Stava, um memorial com uma estátua de bronze foi erguido em homenagem às vítimas. A escultura retrata a cena dramática vista pelas equipes de resgates: dezenas de homens, mulheres e crianças foram encontrados mortos, envoltos em lama, com as mãos erguidas na frente do rosto, numa última tentativa de se proteger.

Com as 84 mortes confirmadas e os 276 desaparecidos, Brumadinho caminha para superar esse número. “A tragédia em Brumadinho estará, certamente, no topo dos maiores desastres com rompimento de barragem de minério do mundo. Infelizmente, é possível que ultrapasse Stava, que foi a maior tragédia do tipo nos últimos 34 anos”, afirmou à BBC News Brasil o geólogo Alex Cardoso Bastos, um dos autores do relatório da ONU sobre barragem de minério.

Se o rompimento em Brumadinho pode se tornar o pior das últimas décadas em número de mortos, o da barragem da Samarco – uma joint-venture entre a Vale S.A. e a anglo-australiana BHP Billiton – na região de Mariana (MG), em 2015, é o mais grave desastre ambiental da história provocado por vazamento de minério.

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O mar de lama causou destruição à vida marinha no Rio Doce, afetando drasticamente a vida da população local.

“O aniquilamento dos ecossistemas de água potável, vida marinha e mata ciliar eliminou recursos naturais insubstituíveis para a vida ribeirinha, para pesca, a agricultura e o turismo”, diz trecho do relatório da ONU, intitulado Mine Tailing Storage: Safety is no Accident.

Leia a reportagem completa no site da BBC.

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