Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

15 de maio de 2019, 06h07

Tsunami da Educação avança contra Bolsonaro em dia de manifestações contra governo

Ministro diz que não descarta mais bloqueios e é convocado a falar na Câmara; manifestações contra cortes no orçamento de universidades ocorrem em todo o país nesta quarta

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Balbúrdia: segundo o dicionário significa “grande desordem e vozerio; confusão, trapalhada. Barulho, algazarra, confusão”, uma síntese de como pode ser classificada a gestão presidencial de Jair Bolsonaro. Pior, nessa terça o governo acumulou mais uma derrota no parlamento, com a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para prestar esclarecimentos aos parlamentares sobre o corte de 30% no recurso das universidades federais. Foram 307 votos a favor, 82 contra.

A tsunami de desorganização, a falta de articulação e os erros primários que não cessam podem descambar em impeachment.

Especialistas em fake news, o governo tentou na noite dessa terça desmobilizar manifestações, divulgando informação falsa de que o contingenciamento havia sido suspenso. A Casa Civil explicou logo após que tudo estava mantido, ou seja, desmentiu informação do líder do PSL, delegado Waldir (GO).

Autor do requerimento de convocação de Weintraub, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que os cortes precisam ser explicados, uma vez que o País viveu um ciclo de expansão do sistema educacional público que agora corre risco de ser interrompido. Ele acrescentou que o debate vai coincidir com manifestações convocadas contra o congelamento dos recursos.

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“É uma oportunidade para que o povo brasileiro perceba que a Câmara dos Deputados está sensível ao clamor da sociedade, já que amanhã as ruas serão ocupadas por gente preocupada com a cultura e a educação”, comentou.

Quem não lembra, a última convocação de ministro no plenário não terminou bem.

Antes de Weintraub, o então ministro da Educação, Cid Gomes, teve de prestar esclarecimentos ao Plenário em 2015 sobre declarações polêmicas contra o então presidente da Casa, Eduardo Cunha. O episódio levou à demissão de Cid.

Enquanto o plenário ouvirá os ministros, a pauta da Casa continua obstruída com as medidas provisórias não aprovadas. A 870, sobre a reorganização da Esplanada, pode perder a validade em 3 de junho e não há previsão de ser apreciada tão cedo.

Nesse cenário de caos e imprevisibilidade só um milagre para o Planalto conseguir aprovar a Reforma da Previdência, a cada dia mais distante de se tornar realidade. A conferir.

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