10 de julho de 2018, 21h29

TV Cultura exclui única pré-candidata mulher ao governo de SP do programa ‘Roda Viva’

Mesmo programa em que foi protagonizado o episódio de machismo contra Manuela D'Ávila excluiu a pré-candidata Lisete Arelaro (PSOL), única candidatura feminina ao governo de São Paulo, de suas entrevistas; PSOL enviou notificação extrajudicial à emissora

A professora Lisete, pré-candidata pelo PSOL ao governo de SP (Foto: Reprodução/Facebook)

A TV Cultura, depois de protagonizar o lamentável episódio de machismo durante a entrevista com a pré-candidata à presidência, Manuela D’Ávila, no “Roda Viva”, excluiu a participação da única pré-candidata mulher ao governo do estado de São Paulo no tradicional programa de entrevistas.

A professora Lisete Arelaro (PSOL-SP) não está na lista de convidados na série de entrevistas com pré-candidatos ao governo. A justificativa da TV Cultura é de que foram convidados apenas os 4 melhores colocados nas pesquisas de opinião. Lisete, no entanto, se enquadra no pré-requisito, já que na última pesquisa Ibope ela aparece tecnicamente empatada, em terceiro lugar, com Luiz Marinho (PT) e Marcio França (PSB).

“A mesma TV Cultura que recentemente protagonizou o deplorável espetáculo de machismo e preconceito contra a pré-candidata à presidência da República, Manuela D´Ávila (PCdoB), agora não convida a única mulher pré-candidata ao governo de São Paulo. Repudiamos a decisão da direção da TV Cultura, tal postura já havia sido apresentada pelo SBT/Folha de S. Paulo/UOL que deixaram a nossa pré-candidata de fora da série de sabatinas realizadas em conjunto por esses três veículos durante os meses de maio e junho. No caso específico da TV Cultura, ainda existe o agravante de se tratar de uma empresa pública, que deveria se pautar fundamentalmente pelo respeito à igualdade de gênero, pela pluralidade e pela democracia”, escreveu Lisete em seu perfil no Facebook.

Nesta terça-feira (10), a professora informou que enviou para a emissora, junto ao PSOL e à Rede Feminista de Juristas, uma notificação extrajudicial para que sua participação no programa seja garantida. De acordo com a pré-candidata, a notificação foi baseada na “cota de gênero”, reforçada tanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que garante a proporcionalidade mínima de 30% entre os gêneros tanto nas candidaturas inscritas pelas chapas dos partidos, como na distribuição do Fundo Partidário e do tempo destinado à propaganda eleitoral de rádio e TV.

A TV Cultura recebeu o documento mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.