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05 de abril de 2019, 11h28

TV Escola vira ‘cabide de emprego’ para olavetes demitidos do MEC

Ao menos três seguidores do astrólogo Olavo de Carvalho foram empregados no canal mantido pelo MEC após perderem seus cargos na pasta, que é alvo de disputa entre militares e a ala ideológica do governo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro e Olavo de Carvalho (Reprodução/Facebook)
Demitidos do Ministério da Educação (MEC) em meio à guerra de poder entre Olavo de Carvalho e a ala militar do governo Jair Bolsonaro, apadrinhados do astrólogo e guru ideológico do presidente estão sendo acomodados na TV Escola. A emissora é financiada pela pasta e já contratou ao menos três “olavetes”, como são chamados os seguidores do autoproclamado filósofo de direita. As informações são de reportagem de Renata Mariz, para O Globo desta sexta-feira (05). Depois de exonerados, foram contratados pela emissora Tiago Tondinelli, ex-chefe de gabinete do ministro Ricardo Vélez Rodríguez; Eduardo Freire de Melo, ex-adjunto do cargo de...

Demitidos do Ministério da Educação (MEC) em meio à guerra de poder entre Olavo de Carvalho e a ala militar do governo Jair Bolsonaro, apadrinhados do astrólogo e guru ideológico do presidente estão sendo acomodados na TV Escola. A emissora é financiada pela pasta e já contratou ao menos três “olavetes”, como são chamados os seguidores do autoproclamado filósofo de direita. As informações são de reportagem de Renata Mariz, para O Globo desta sexta-feira (05).

Depois de exonerados, foram contratados pela emissora Tiago Tondinelli, ex-chefe de gabinete do ministro Ricardo Vélez Rodríguez; Eduardo Freire de Melo, ex-adjunto do cargo de secretário-executivo; e Rodrigo de Almeida Morais, ex-assessor da pasta.

A expectativa é de que o mais novo demitido do MEC, Bruno Meirelles Garschagen, também seja “absorvido” pela TV Escola após perder o cargo na última quinta-feira (04).

Relatos de servidores do ministério atestam constrangimentos causados pelos discípulos de Olavo de Carvalho. Tondinelli, por exemplo, propagava teorias conspiratórias e defendia a criação de um setor de inteligência na pasta.

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As contratações são justificadas pela TV Escola pela necessidade criada a partir de uma “reestruturação do canal e da programação” em andamento.

O canal é gerido pela Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, organização social que, em 2018, recebeu R$ 92,6 milhões dos cofres públicos federais.

Para além do cabide político na emissora, a dança das cadeiras que prossegue no MEC atesta o enfraquecimento do ministro Ricardo Vélez Rodíguez, também indicado a Bolsonaro por Olavo de Carvalho. As exonerações e recuos na pasta já ultrapassam a marca de duas dezenas.

 

 

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