12 de julho de 2018, 07h37

Um ano depois da sentença, delatores de Lula ainda não fecharam acordo

Juízes do TRF-4 discordaram de Moro e consideraram benefícios concedidos como excessivos

Faz um ano nesta quinta-feira (12) que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Lula em Primeira Instância por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do tríplex de Guarujá (SP). O empreiteiro da OAS Léo Pinheiro e Agenor Franklin Medeiros, ex-executivo da empreiteira, deram, meses antes da sentença, depoimentos considerados por Moro como cruciais para a sua condenação.

Mas, mesmo assim, eles tiveram todos os benefícios concedidos por Moro retirados por juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região sob o argumento de que eram excessivos e, até agora, um ano depois, não conseguiram fechar acordo de delação.

“[A colaboração] não pode servir de panaceia e fazer com que os gravíssimos crimes praticados e já julgados em outras ações sejam, na prática, perdoados”, disse Leandro Paulsen, um dos juízes.

Moro considerou na sentença os relatos “coerentes”, ainda que criminosos confessos possam dar declarações “questionáveis”.

A iniciativa da dupla de confessar crimes na ação penal e acusar o petista foi interpretada como uma tentativa de apressar as negociações para um acordo que os livrasse da prisão em regime fechado.

Lula foi preso nove meses após a publicação da sentença, em abril, após o caso ser julgado também na segunda instância. Medeiros foi preso em setembro de 2017, em decorrência de uma outra condenação na Lava Jato. Pinheiro está na cadeia desde 2016 e já é um dos mais longevos presos da Lava Jato.

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