Anarca é a mãe

06 de junho de 2015, 07h54

Um mundo de humanidades

http://hdw.eweb4.com/wallpapers/3211/

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Nós nascemos. Um universo (ou, pelo menos um dos universos possíveis) dentro de cada um de nós, ainda por descobrir.

A exploração desse universo desconhecido logo começa, através de seu contato com um mundo novo. Um mundo que é, de repente, dor, frio, fome, medo. Desconforto. E também aconchego no colo da mãe, carinho da mão do pai, leite quente, os cheiros e sons da nossa casa, da nossa família.

A cada dia, o mundo lá fora se mostra mais e mais nítido para nós. A cada dia, coisas novas, belas, feias. O que é feio? O que é belo? Ainda não sabemos. Ainda vamos descobrir. Conforme formos descobrindo o universo dentro da gente.

Por muito tempo, só existirá para nós o nosso universo. As pessoas e coisas só existirão quando estão diante dos nossos olhos, em contato com a nossa pele. O que não é visto, não é sentido, não existe. Nem pode existir, porque estamos ocupados demais com as descobertas daquilo que estamos vendo e sentindo para conceber a existência de outras coisas.

Mas, aos poucos, as novidades vão se esvaindo. Vamos dominando técnicas que antes nos pareciam quase impossíveis. Em breve falamos, andamos, corremos, pulamos. E nos descobrimos pessoas distintas das que nos carregam no colo, das que nos levam pela mão. Como indivíduos com vontades específicas e próprias. Começamos a ver que existe uma diferença, uma separação, entre o mundo lá fora e o universo aqui dentro.

Logo começamos a nos perceber nos olhos de outras pessoas. E nos damos conta de que elas também têm seus universos particulares separados do mundo que está ao nosso redor. E que somos todes estrelas numa constelação que, a cada dia que passa, nos damos conta de ser maior e maior e maior.

A nossa perspectiva começa a mudar para conciliar o paradoxo de encerrar em si mesma um universo único e magnífico, ao mesmo tempo em que é apenas um em muitos. E muitos. E muitos. Alguns similares; outros, tão diferentes que temos dificuldade para entendê-los.

E passamos a ver o quanto o mundo é feito desses universos, os nossos e os dos outros. Moldado por eles. Começamos a entender o impacto que cada um deles, individualmente, ou que muitos deles, em conjunto, podem ter ao seu redor e uns nos outros.

E começamos a nos entender como partes de um todo. Começamos a compreender que, mesmo nas nossas imparidades, fazemos parte de todo um conjunto, uma coletividade, que não faz sentido sem a gente e nem nós fazemos sentido sem ela.

Crescer é uma jornada sem fim, de dentro para fora e de fora para dentro, de nós mesmes, de nossos lares, de nossas individualidades.