15 de março de 2019, 08h35

União é condenada a indenizar em R$ 400 mil soldado que foi torturado por superiores

Soldado da 27ª Brigada de Infantaria Paraquedista foi espancado por 18 superiores em trote, teve pedaços das nádegas arrancados e passou por cirurgia para retirar um dos testículos

Soldado foi torturado por 18 superiores em trote no Exército (Reprodução/O Globo)
A juíza da 27ª Vara Federal do Rio, Geraldine Pinto Vital de Castro, condenou a União ao pagamento de R$ 400 mil por danos morais a um soldado vitima de tortura durante um trote violento nas dependências do Exército. Atacado por um grupo de veteranos, o militar ficou com graves problemas urológicos, além de sequelas psiquiátricas. Segundo reportagem do jornal O Globo, de família pobre, morador da Zona Norte do Rio, o soldado da 27ª Brigada de Infantaria Paraquedista contou que passou por uma sessão de trote aplicada por um grupo de 18 militares, todos superiores. Uma espécie de batismo...

A juíza da 27ª Vara Federal do Rio, Geraldine Pinto Vital de Castro, condenou a União ao pagamento de R$ 400 mil por danos morais a um soldado vitima de tortura durante um trote violento nas dependências do Exército. Atacado por um grupo de veteranos, o militar ficou com graves problemas urológicos, além de sequelas psiquiátricas.

Segundo reportagem do jornal O Globo, de família pobre, morador da Zona Norte do Rio, o soldado da 27ª Brigada de Infantaria Paraquedista contou que passou por uma sessão de trote aplicada por um grupo de 18 militares, todos superiores. Uma espécie de batismo sádico, no qual o calouro é submetido a um intenso espancamento com os pés e mãos amarrados pelos veteranos.

Durante cerca de dois minutos, o militar conta que levou chutes e foi espancado, com uso de paus, pedaços de fios e de plásticos pelos superiores. No fim, um dos agressores ainda gritou: “Soltem o cachorro. Soltem o cachorro”. Neste momento, um cabo, conhecido no batalhão pelo apelido de “Cachorro Louco”, partiu em direção ao soldado simulando ser um cão e mordendo violentamente suas nádegas, arrancando pedaços.

Em casa, ele percebeu um sangramento no pênis, que mais tarde levou à extração de um dos testículos por médicos do Hospital Central do Exército (HCE), onde foi atendido.

A decisãojudicial também assegurou ao soldado o exercício de atividades administrativas na Organização Militar e a manutenção de tratamentos psicológico e urológico permanentes na rede de saúde do Exército Brasileiro. A União também deverá arcar com indenização por danos materiais como o tratamento de natureza médico-hospitalar e psíquica.

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