Notas Internacionais

por Ana Prestes

18 de abril de 2019, 10h59

União Europeia condena “veementemente” novas ações dos EUA contra Cuba

Segundo Alberto Navarro, enviado da UE a Havana, objetivo é criar “ainda mais confusão para os investimentos estrangeiros, que estão ajudando a criar empregos e prosperidade em Cuba”, revela Ana Prestes

– O suicídio de Alan Garcia (1985-1990 e 2006-2011), ex-presidente peruano, levou ao inevitável debate mundial sobre o que está acontecendo na América Latina em termos de judicialização e criminalização da política na América Latina. Segundo a imprensa peruana, ainda havia poucas evidências concretas dos crimes de corrupção de que Garcia era acusado. O único pagamento por ele recebido da Odebrecht que se tinha prova material eram 100 mil dólares por uma palestra realizada pela Fiesp em São Paulo no ano de 2012. Não coincidentemente líderes latino-americanos do período progressista vivido nas duas primeiras décadas do século XXI na região, como Lula, C. Kirchner e Correa estão sendo processados ou já presos, como no caso de Lula, sem que haja material probatório consistente de crimes de corrupção.

– Ao total quatro ex-presidentes peruanos (Garcia, Toledo, Kuczynski e Humala) e uma líder da oposição (Keiko Fujimori) estão envolvidos com denúncias de corrupção e ontem, após o suicídio de Alan Garcia, um deles, Pedro Paulo Kuczynski foi hospitalizado em uma UTI com crise de hipertensão. Ele está preso preventivamente também acusado de corrupção com a Odebrecht.

– O governo Trump anunciou ontem (17) novas medidas contra Cuba. Trata-se da ativação do “Título 3”, um dispositivo da lei Helms-Burton que permite a contestação judicial por parte de indivíduos ou empresas sobre propriedades em solo cubano ainda do período pré-revolucionário. São propriedades em sua maioria que foram nacionalizadas pela Revolução Cubana e perderam seu status anterior. A decisão de ativar um dispositivo da lei que estava inativo há duas décadas pode fazer com que várias empresas americanas, europeias e canadenses, em especial, travem ações judiciais de bilhões de dólares e comprometer a capacidade cubana de atrair investimento econômico em um período muito delicado de fragilidade de sua economia. A medida foi tomada no escopo da elevação da pressão sobre Cuba por seu apoio a Maduro na Venezuela. O embargo comercial dos EUA sobre Cuba já dura seis décadas.

– A União Europeia se pronunciou sobre a decisão dos EUA de ativar o “Título 3” da lei Helms-Burton contra Cuba e disse que “condena veementemente” a medida e que isso “criará ainda mais confusão para os investimentos estrangeiros, que estão ajudando a criar empregos e prosperidade em Cuba”, segundo Alberto Navarro, enviado da UE a Havana, citado em matéria da DW. A UE pode levar o caso para a OMC.

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– A manobra norte-americana dos últimos dias com a abertura de uma franca artilharia sobre Cuba revela um plano em que a “derrubada da Venezuela” está associada à mais uma tentativa de derrubada do governo cubano.

– Ainda sobre EUA e Venezuela, uma reportagem do The Intercept revela que está circulando um documento do Banco Interamericano de Investimento (BID) que prevê a injeção de até 48 bilhões de dólares na economia da Venezuela, caso Maduro seja derrubado. O título do documento é “Venezuela: desafios e oportunidades”. A oferta de financiamento bilionário seria uma isca para governos e corporações internacionais apoiarem Washington na derrubada de Maduro, além de dar confiança à comunidade empresarial venezuelana para apoiar a oposição interna ao atual governo, na opinião dos jornalistas que assinam o artigo, Rafael Moro e Ryan Grim e que tiveram acesso aos documentos.

– É aguardada para esta quinta (18), nos EUA, a apresentação do relatório do promotor especial Robert Mueller sobre a suposta “Interferência russa nas eleições de 2016” no país. Segundo a CNN, são 400 páginas de relato após quase dois anos de investigação e entrevistas de mais de 500 testemunhas. Segundo Trump, via Twitter, o relatório foi preparado por 18 democratas raivosos e que o documento deveria ser focado em quem espionou sua campanha em 2016 e não sobre o que ele chama de “embuste russo”.

– O governo Macri, da Argentina, anunciou ontem (17) um congelamento de preços no país. Um relatório divulgado no dia 16 indicou aumento da inflação para 4,7% e aumento da pobreza que já está na faixa dos 32%. Serão 60 os produtos que constam da cesta básica e que terão por seis meses seus preços congelados. Outras medidas como descontos para compras de outros itens, como eletrodomésticos ou medicamentos, foram tomadas direcionadas para pensionistas e aposentados. Ainda, segundo Macri, tarifas, como eletricidade, gás e transporte, não terão aumento até o final do ano. O presidente argentino vive o drama de ver o país se deteriorando economicamente em pleno ano eleitoral. Até mesmo contas de telefones celulares sofrerão congelamento. Ele retomou várias medidas que já existiam no governo de C. Kirchner, subsidio do Estado ao preço do gás ou o programa Preços Cuidados dedicado a vários itens da cesta básica.

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– Há exatamente um ano, 18 de julho de 2018, começava uma onda de protestos contra o presidente Daniel Ortega na Nicarágua. Os protestos duraram meses, geraram mortos e encarcerados e uma profunda instabilidade política no país. Várias mesas de negociação já foram abertas e fechadas sem que a oposição conseguisse conquistar seu maior pleito: antecipação das eleições presidenciais. A crise revelou a força da igreja católica no país, mas também da militância sandinista e a influência do empresariado norte-americano sobre o empresariado local. O estopim dos protestos na época foi uma proposta de reforma da Previdência.

– O maior parlamento do mundo, o da União Europeia, terá eleições daqui um mês, em 26 de maio. Segundo pesquisa divulgada pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores, ainda há um milhão de cidadãos europeus indecisos sobre o pleito. Segundo um dos coordenadores da pesquisa, Mark Leonard, há uma tentativa por parte da extrema direita de fazer da eleição um grande referendo sobre o tema da imigração, mas isso não se verifica nos números quando se questionam as pessoas da maioria dos países sobre suas principais preocupações. Outro “mito”, segundo ele, da eleição é confrontar os defensores do bloco e os eurocéticos, visto que a maioria das pessoas ainda aposta na existência de uma união dos países europeus.

– Terminaram ontem (17) as eleições presidenciais na Indonésia. Mais de 190 milhões de pessoas estavam aptas a votar, configurando a 3ª maior democracia do mundo. O atual presidente Joko Widodo foi o vencedor com 54% dos votos.

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– Trump vetou no último dia 16 uma resolução do congresso americano que determinava o fim da participação dos EUA na guerra do Iêmen. A guerra liderada pela Arábia Saudita dura quatro anos, já matou milhares de pessoas e deixou o país na maior crise humanitária do mundo. A guerra é palco da disputa entre Arábia Saudita e Irã, que apoia os rebeldes houthis. O veto de Trump e a resolução do parlamento norte-americano, na verdade, é um duelo sobre quem tem a palavra final no caso de participações em guerras, o presidente ou o parlamento?

– Kim e Putin devem se encontrar ainda neste mês de abril. Enquanto isso, a Coreia do Norte pediu aos EUA que Mike Pompeo deixe de ser o principal negociador sobre desnuclearização com o país.

– Uma greve de caminhoneiros que começou na segunda (16) em Portugal levou o país a uma crise energética. Postos de combustíveis estão sem combustível e até o aeroporto de Lisboa ontem (17) ficou parado.

– Um mega-aeroporto está em vias de ser inaugurado em Beijing, na China. Leva o nome de Daxing e será o maior terminal aeroportuário do mundo em uma só edificação. Espera-se que 100 milhões de passageiros/ano circulem pelo aeroporto.

– A Duma, parlamento russo, aprovou ontem (16) um projeto de lei que permite ao país salvaguarda total de sua internet. Durante crises ou ataques cibernéticos será possível se desconectar totalmente da rede mundial de computadores.

– Um movimento nascido no Reino Unido, chamado “Extinction Rebellion”, que pretende denunciar a destruição ambiental do planeta, promete uma rebelião internacional com protestos em 80 cidades de 30 países até 22 de abril. Os ativistas estão mobilizados nas ruas de Londres desde a segunda (16) e vários já foram presos ao se acorrentarem a carros ou ocuparem escritórios de empresas como a petroleira Shell.

– Bolsonaro apareceu na lista dos 100 mais influentes do mundo da “Time” como “personagem complexo”, “homofóbico”, “ultraconservador” e que promete “guerra cultural”.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.