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24 de novembro de 2017, 18h54

Unidade do Extra usa black face na Black Friday, é denunciada e pede desculpas

Usuária das redes sociais denuncia que o supermercado na Rua Frei Caneca, em São Paulo, vestiu funcionárias com perucas crespas em alusão à tradução da palavra "black", o que ridiculariza os negros.

Usuária das redes sociais denuncia que o supermercado na Rua Frei Caneca, em São Paulo, vestiu funcionárias com perucas crespas em alusão à tradução da palavra “black”. Por Lucas Vasques* Uma iniciativa de uma das unidades do supermercado Extra, localizada na Rua Frei Caneca, em São Paulo, causou indignação em alguns frequentadores do local. Para marcar o Black Friday, nesta sexta-feira (24), alguns funcionários, incluindo caixas, estavam vestindo perucas crespas, em alusão à tradução da palavra “black” para o português, caracterizando o black face. Essa é uma técnica de maquiagem, na qual pessoas brancas se caricaturam de negros para estereotipar...

Usuária das redes sociais denuncia que o supermercado na Rua Frei Caneca, em São Paulo, vestiu funcionárias com perucas crespas em alusão à tradução da palavra “black”.

Por Lucas Vasques*

Uma iniciativa de uma das unidades do supermercado Extra, localizada na Rua Frei Caneca, em São Paulo, causou indignação em alguns frequentadores do local. Para marcar o Black Friday, nesta sexta-feira (24), alguns funcionários, incluindo caixas, estavam vestindo perucas crespas, em alusão à tradução da palavra “black” para o português, caracterizando o black face. Essa é uma técnica de maquiagem, na qual pessoas brancas se caricaturam de negros para estereotipar características físicas e representá-las de forma jocosa, reafirmando o racismo. Procurado pela Fórum, o Grupo Pão-de-Açúcar/Extra, via nota, se desculpou e mandou interromper a ação imediatamente.

Indignada com o fato, a jornalista Cristiane Guterres resolveu protestar em sua página no Facebook. “Isso também é uma forma de opressão e me sinto na obrigação de reclamar. Essas coisas sempre incomodaram os negros, mas antes não tínhamos um canal para denunciar. Agora, com as redes sociais, podemos ter nossa voz ouvida”, explica.

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Ela conta que foi ao supermercado pela manhã e quando viu a cena ficou chocada. “Procurei o gerente, mas me falaram que ele estava ocupado. Falei com uma funcionária e perguntei se o uso das perucas era comum. Ela disse que não e que, inclusive, não era obrigatório. Mas, sem dúvida, para quem é negro, é constrangedor e angustiante. O negro sofre desde a infância, ouvindo que o cabelo crespo é feio, é sujo. Acho inadmissível e não podia ficar sem fazer nada”, contou.

Em sua postagem no Facebook, Cristiane foi contundente: “Caricaturar pessoas negras é mais uma ferramenta de opressão. Estas atitudes são abusivas e nos ridicularizam. Homens e mulheres negros ouvem inúmeras ofensas sobre seus cabelos. Ouvimos piadas, somos discriminados, não somos contratados por muitas empresas porque não temos um cabelo comportado. Esse tipo de atitude é engraçada pra quem?”, pergunta.

Justificativa

O Grupo Pão-de-Açúcar/Extra, por meio de nota, respondeu aos questionamentos da Fórum: “A rede esclarece que não houve qualquer orientação para a iniciativa retratada e que o caso apontado foi uma ação particular e pontual ocorrida em uma de suas unidades. Assim que tomou conhecimento, solicitou sua interrupção imediata. A loja lamenta pelo ocorrido e desculpa-se por qualquer ofensa causada. A rede reitera que segue diretriz estratégica da companhia para uma conduta de combate a todo e qualquer tipo de discriminação, promovendo a inclusão de todos os públicos em seu conceito mais amplo. Isso é reiterado pelo compromisso assumido internamente no seu Código de Ética e publicamente com a Coalização Empresarial de Equidade Racial e de Gênero”.

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Fotos: Reprodução/Facebook

 

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