12 de julho de 2018, 18h32

Vereador David Miranda sofre ataque homofóbico em sessão que discute impeachment de Crivella

Foi o primeiro ataque homofóbico que o político do PSOL sofreu em uma sessão legislativa

O vereador David Miranda (PSOL) foi vítima de homofobia durante a sessão que discutiu, nesta quinta-feira, o impeachment do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. David estava na tribuna para criticar a atitude do vereador e pastor evangélico Otoni de Paula (PSC) que, segundo o psolista, fazia gestos provocativos contra os manifestantes que acompanhavam a sessão no auditório da Câmara de Vereadores. O integrante da base do prefeito respondeu com gestos homofóbicos contra o único vereador gay assumido da Casa.

Em conversa com a reportagem da Revista Fórum, David Miranda disse que pretende entrar na Justiça contra o pastor evangélico. “O que aconteceu foi um absurdo. O vereador Otoni foi hipócrita e preconceituoso. Não vou aceitar a postura homofóbica dele. Vou buscar justiça”.

Na mesma sessão, Otoni de Paula “mandou uma banana” para os manifestantes que ocupavam as galerias da Câmara de Vereadores. A bancada do PSOL deve entrar com representação no Conselho de Ética contra o pastor. “Não é a primeira vez que ele fere o regimento. Ele já foi à tribuna chamar a Anitta de vagabunda. Já falou mal da Ludmilla. A gente vai cassar o mandato dele”, afirmou o psolista.

A ação do vereador do PSC foi o primeiro ataque homofóbico que David Miranda sofreu em uma sessão legislativa. O pedido de impeachment do prefeito acabou rejeitado pela maioria dos vereadores em um placar de 29 a 16.

Veja o gesto homofóbico do vereador à esquerda no vídeo

Pastor defende voto em Jair Bolsonaro

O vereador Otoni de Paula é pastor evangélico da Assembleia de Deus Ministério Missão Vida, localizada no Colégio, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro. Em vídeos no Youtube, ele defende o voto em Jair Bolsonaro para a presidência da República. Em seu mandato, adota posturas contraditórias quando os assuntos são políticas públicas para o enfrentamento da LGBTfobia no município. Apresentou projeto para a criação de “casas-abrigo” para vítimas de LGBTfobia, no entanto, votou contra o Dia da Visibilidade Lésbica, proposto por Marielle Franco. A proposta da nova data oficial foi derrotada por apenas dois votos.

A reportagem da Revista Fórum procurou a assessoria do vereador, mas ninguém foi encontrado para comentar o caso.