04 de novembro de 2018, 09h42

Verissimo: “O ódio ao PT foi maior que o amor pela democracia”

Escritor critica omissos que esperava que “iriam diretamente para a barricada anti-Bolsonaro assim que se definisse o adversário no segundo turno”, como Fernando Henrique e Ciro Gomes

(Foto: Lindomar Cruz/Agência Brasil)
Em sua coluna no jornal O Globo, o escritor Luis Fernando Verissimo criticou “os omissos” que não declararam voto em Fernando Haddad, inclusive Fernando Henrique Cardoso e Ciro Gomes, que “em vez de ir para a barricada, foi para a Europa”. “Quando, no futuro, escreverem a história destes dias estranhos, um capítulo inteiro — ou, vá lá, uma nota de pé de página — terá que ser sobre os omissos. Aqueles que, se esperava, iriam diretamente para a barricada anti-Bolsonaro assim que se definisse o adversário no segundo turno, e não foram, ou demoraram a ir, ou se desinteressaram pelo...

Em sua coluna no jornal O Globo, o escritor Luis Fernando Verissimo criticou “os omissos” que não declararam voto em Fernando Haddad, inclusive Fernando Henrique Cardoso e Ciro Gomes, que “em vez de ir para a barricada, foi para a Europa”.

“Quando, no futuro, escreverem a história destes dias estranhos, um capítulo inteiro — ou, vá lá, uma nota de pé de página — terá que ser sobre os omissos. Aqueles que, se esperava, iriam diretamente para a barricada anti-Bolsonaro assim que se definisse o adversário no segundo turno, e não foram, ou demoraram a ir, ou se desinteressaram pelo futuro do país e foram cuidar das suas hortas”, escreveu.
“Mas os omissos deveriam ter pensado não na consequência imediata da sua omissão, que era livrá-los de qualquer suspeita de estarem ajudando (horror!) o PT, mas pensado em suas biografias. No fim, o ódio ao PT foi maior que o amor pela democracia”, ponderou.
Verissimo declarou apoio a Haddad no segundo turno, sendo um dos que assinaram o Manifesto do Livro. “Não podemos deixar de registrar, também, o risco de retrocessos que a candidatura opositora representa, ao apoiar projetos como o Escola sem Partido, que, a pretexto de instituir uma educação “neutra” – ficção em qualquer país do mundo -, visa a doutrinar os alunos com o que há de mais retrógrado e a introduzir a delação na atividade docente”, dizia a petição.