10 de agosto de 2018, 10h10

Vice de Bolsonaro, general Mourão não descarta intervenção militar caso Lula seja candidato

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Hamilton Mourão voltou a elogiar o torturador Brilhante Ustra e disse que o Brasil esteve perto de uma ação militar mais efetiva durante a greve dos caminhoneiros

Foto: Divulgação/Exército

Candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL, o general da reserva Hamilton Mourão não descarta uma intervenção militar, caso Lula seja candidato mesmo. Em entrevista à Cristiane Agostine, do jornal Valor Econômico (veja a íntegra), ele disse que o Brasil esteve perto de uma ação militar mais efetiva durante a greve dos caminhoneiros. O general voltou a elogiar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-CODI de São Paulo, um dos principais centros de tortura no regime militar. Mourão ainda defende uma participação intensa dos militares na vida política. Acompanhe alguns trechos da entrevista ao Valor:

Sobre o papel das Forças Armadas

A missão das Forças Armadas é a defesa da pátria, a garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. É manter um ambiente de estabilidade para que os três Poderes possam cumprir a sua tarefa. Se essa capacidade de um dos Poderes estiver ameaçada, as Forças Armadas devem garantir que possam trabalhar. Se isso for afetado por distúrbios de rua, por desobediência civil, as Forças Armadas [devem] manter a ordem. Se a lei e a Justiça não conseguem cumprir o seu papel, perderemos o controle da situação.

Greve dos caminhoneiros

A manifestações dos caminhoneiros chegou quase no limite. As Forças Armadas tiveram que ser empregadas para desobstruir as rodovias e foi um trabalho feito de forma contencioso. Não tivemos quase nenhum incidente [O caminhoneiro José Batistela morreu durante a greve, depois de levar uma pedrada]. O governo demorou a reconhecer o problema.

Casos em que se justificaria a intervenção militar

Os casos mais prementes são de leis, da Ficha Limpa, o PT tentando impor de todas as formas a candidatura [de Lula] que pode ensejar em razão das leis existentes… Se por acaso uma coisa dessas levar a uma revolta popular, é necessário que haja controle disso aí, senão vamos para a barbárie.

Candidatura Lula

Nem raciocino com a candidatura Lula. Essa é uma questão interna do PT. Lula candidato é uma coisa que está correndo nas redes sociais. Se Lula pode ser candidato, então Fernandinho Beira-Mar pode, Marcola pode… Ressalvadas as devidas diferenças.

Brilhante Ustra

Quem acusou Ustra como torturador não apresentou nenhuma prova. Ele comandou o DOI de São Paulo, principal elemento do desbaratamento das organizações subversivas. Ustra foi meu comandante quando eu era tenente, por dois anos. Me ensinou muito no começo da minha vida militar. É um homem justo, um líder, estava presente em todas as atividades no nosso quartel. É um dos homens que tenho como exemplo para a vida. Ele passou quase 30 anos sendo atacado. Costumo dizer que Ustra é a “Geni”. Quando está tudo calmo aí, arruma alguma coisa do Ustra e ataca pedra nele.