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25 de setembro de 2018, 15h32

Victor Maia: Haddad e a reorganização mundial da esquerda

A vitória de Fernando Haddad sobre Jair Bolsonaro significa também a reorganização das forças progressistas na América Latina num momento de enfraquecimento das instituições democráticas, de ofensiva do neoliberalismo e de perda de direitos dos mais pobres

Foto: Ricardo Stuckert Por Victor Maia* A possível vitória de Fernando Haddad nas eleições presidenciais do próximo mês terá o potencial de reorganizar o campo progressista em nível mundial. Em princípio exagerada, essa afirmação leva em consideração alguns pontos fundamentais do jogo político internacional. Se nos últimos anos assistiu-se ao recrudescimento da esquerda e à sua crise de identidade – o que foi potencializado pela ascensão do conservadorismo na América Latina de Macri e Temer e nos EUA de Donald Trump – vê-se agora a possibilidade de uma organização social e militante de grande proporção. A se confirmar um segundo...

Foto: Ricardo Stuckert

Por Victor Maia*

A possível vitória de Fernando Haddad nas eleições presidenciais do próximo mês terá o potencial de reorganizar o campo progressista em nível mundial. Em princípio exagerada, essa afirmação leva em consideração alguns pontos fundamentais do jogo político internacional. Se nos últimos anos assistiu-se ao recrudescimento da esquerda e à sua crise de identidade – o que foi potencializado pela ascensão do conservadorismo na América Latina de Macri e Temer e nos EUA de Donald Trump – vê-se agora a possibilidade de uma organização social e militante de grande proporção.

A se confirmar um segundo turno disputado entre o representante da extrema direita, Jair Bolsonaro, e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, veremos pela primeira vez, desde a redemocratização, uma reorganização do jogo político brasileiro. Se nas últimas eleições esteve sempre clara a tensão entre a classe média, representada pelo PSDB, e a classe trabalhadora, representada pelo Partido dos Trabalhadores, estará em questão agora o modelo de desenvolvimento social apresentado pelo PT e, de outro lado, tão somente a sua negação. Isso porque Bolsonaro não representa senão o antipetismo. Sem projetos reais para o Brasil, sua ascendência política se dá por meio da estéril recusa do lulismo.

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Nesse sentido, a vitória de Fernando Haddad sobre Jair Bolsonaro representa não apenas a legitimação, pela soberania do voto popular, do modelo de inclusão social proposto pelo PT na última década. Ela significa também a reorganização das forças progressistas na América Latina num momento de enfraquecimento das instituições democráticas, de ofensiva do neoliberalismo e de perda de direitos dos mais pobres.

Diante da recessão democrática vivida pela América Latina nos últimos anos, a vitória de Fernando Haddad pode significar não apenas o retorno do Brasil ao seu protagonismo na região. Trata-se também de um reposicionamento do campo progressista no cenário mundial, num momento em que o mundo volta sua atenção para o pleito do dia 7 de outubro. De perfil moderado e reflexivo, o ungido do presidente Lula, Fernando Haddad, desponta também agora como o catalizador do reordenamento da esquerda na geopolítica latino-americana.

*Victor Maia é pós-doutorando em Ética e Filosofia Política pela UFRJ e subsecretário de Cultura de Nova Iguaçu, RJ

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