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18 de dezembro de 2018, 16h12

Violência contra jornalistas explode em 2018, aponta estudo

Relatório da ONG Repórteres Sem Fronteiras aponta que 80 jornalistas foram assassinados ao redor do mundo em 2018 - 15 a mais que em 2017; número de sequestros e prisões de profissionais da imprensa também aumentaram

Foto: Leandro Taques / porém.net
Exercer a profissão de jornalista tem se tornado, ano a ano, uma atividade cada vez mais perigosa. Relatório divulgado nesta terça-feira (18) pela ONG internacional Repórteres Sem Fronteiras mostra que a violência contra profissionais de imprensa ao redor do mundo explodiu em 2018: todos os indicadores de violações aumentaram. De acordo com o levantamento, que é feito anualmente, 80 jornalistas foram assassinados em 2018 – 15 a mais que em 2017. Deste total, 49 pessoas foram deliberadamente assassinadas por seu trabalho como jornalista e os 31 restantes foram mortos durante o exercício da função, a maioria em países que estão em...

Exercer a profissão de jornalista tem se tornado, ano a ano, uma atividade cada vez mais perigosa. Relatório divulgado nesta terça-feira (18) pela ONG internacional Repórteres Sem Fronteiras mostra que a violência contra profissionais de imprensa ao redor do mundo explodiu em 2018: todos os indicadores de violações aumentaram.

De acordo com o levantamento, que é feito anualmente, 80 jornalistas foram assassinados em 2018 – 15 a mais que em 2017. Deste total, 49 pessoas foram deliberadamente assassinadas por seu trabalho como jornalista e os 31 restantes foram mortos durante o exercício da função, a maioria em países que estão em guerra. Três dos jornalistas assassinados eram mulheres. O estudo aponta que os países onde mais se assassinam jornalistas são Afeganistão, Síria, México, Iêmen, Índia e Estados Unidos.

Além dos assassinatos, aumentou também o número de detenções de profissionais da imprensa. 348 jornalistas de todo o mundo estão detidos – em 2017 foram 326. Mais da metade dos trabalhadores presos estão na China, Turquia, Irã, Arábia Saudita e Egito.

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As violações ao exercício do jornalismo não param por aí. Pelo menos 60 jornalistas estão atualmente sendo feitos de reféns ao redor do mundo – um aumento de 11% em comparação ao ano passado, quando 54 jornalistas estavam nessas condições. Os países que mais fizeram jornalistas reféns este ano foram Síria e Iêmen.

“A violência contra os jornalistas atinge um novo patamar este ano; todos os indicadores estão vermelhos. O ódio contra jornalistas, proferido ou até mesmo reivindicado por líderes políticos, religiosos ou empresários sem escrúpulos, tem consequências dramáticas em campo e se reflete em um aumento preocupante dos abusos contra jornalistas. Disseminados pelas redes sociais, que têm grande responsabilidade nesse aspecto, esses sentimentos de ódio legitimam essa violência e enfraquecem, um pouco mais a cada dia, o jornalismo e, com isso, a democracia”, afirmou Christophe Deloire, secretário geral da Repórteres Sem Fronteiras.

Confira a íntegra do relatório aqui.

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