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15 de maio de 2019, 09h24

Vírus de empresa israelense para espionagem política no Whatsapp foi usado durante as eleições no Brasil

Segundo reportagem do El Pais, o vírus Pegasus é empregado para monitorar alvos específicos. Trata-se de espionagem política perpetrada por Governos e suas agências, podendo ser vigilância doméstica ou internacional

Reportagem de Fernanda Becker e Regiane Oliveira, no site do jornal El País nesta quarta-feira (15), que o vírus Pegasus, fabricado pela empresa israelense NSO, para coletar informaçõs no Whatsapp foi usado no Brasil entre agosto de 2016 e agosto de 2018, na pré e durante a campanha para as eleições presidenciais. Segundo revelou o Financial Times nesta segunda-feira (13), ao infectar o aparelho por meio de uma chamada de voz, o vírus é capaz de acessar informações sensíveis e executar ações, como ativar remotamente a câmera e o microfone. Após a matéria do jornal londrinho, o Whatsapp disponibilizou uma...

Reportagem de Fernanda Becker e Regiane Oliveira, no site do jornal El País nesta quarta-feira (15), que o vírus Pegasus, fabricado pela empresa israelense NSO, para coletar informaçõs no Whatsapp foi usado no Brasil entre agosto de 2016 e agosto de 2018, na pré e durante a campanha para as eleições presidenciais.

Segundo revelou o Financial Times nesta segunda-feira (13), ao infectar o aparelho por meio de uma chamada de voz, o vírus é capaz de acessar informações sensíveis e executar ações, como ativar remotamente a câmera e o microfone. Após a matéria do jornal londrinho, o Whatsapp disponibilizou uma atualização do aplicativo para proteger contra ataques hackers.

Segundo a reportagem do El País, em setembro de 2018, o Citizen Lab, um renomado laboratório da Universidade de Toronto, publicou o relatório Hide and Seek, um exaustivo estudo no qual foram identificados 45 países com suspeita de infecção pelo mesmo vírus da NSO Group. Um dos países do informe é justamente o Brasil.

Não se sabe, no entanto, quem teria comprado a ferramenta de guerra cibernética para usar em território brasileiro. A empresa israelense diz que não a vende para clientes privados, apenas para Governos nacionais.

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Citizen Lab identifica pelo menos 33 possíveis clientes da empresa, entre eles, países já conhecidos pelo uso abusivo destas ferramentas de vigilância contra a sociedade civil, mas os pesquisadores optaram por não revelar quais são eles. Eles dizem que os Estados que consomem o produto podem o estar utilizando para finalidades lícitas, como combate ao terrorismo e crimes virtuais.

À diferença de outros escândalos envolvendo dados pessoais, como o da Cambridge Analytica, que explodiu após eleições norte-americanas de 2016 e obrigou o Facebook a repensar radicalmente sua política de privacidade, programas como o Pegasus não se dedicam à coleta massiva de dados, mas são empregados para monitorar alvos específicos. Trata-se de espionagem política perpetrada pelos Governos e suas Agências, podendo ser vigilância doméstica ou internacional.

Leia a reportagem na íntegra

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